Opinião
Agenda hist�rica - Editorial
Viajante mais contido que seu antecessor, o papa Bento XVI chega hoje ao Brasil, onde cumprirá extensa agenda. João Paulo II (outro estilo para executar políticas semelhantes) foi um diplomata ofensivo, ágil, mesmo quando sua saúde se esvaiu. Durante seus 27 anos de pontificado, o papa polonês, realizou mais de 100 incursões internacionais, cobrindo cinco continentes. Papa desde 2005, Bento XVI, até hoje, só havia deixado a Europa uma única vez, em novembro de 2006, e por apenas um dia, quando fez um périplo por áreas asiáticas da Turquia (especificamente Ancara e Éfeso) num esforço diplomático para reduzir tensões com o mundo muçulmano em função de declarações interpretadas como insultuosas contra o Islamismo. Fora esse dia, a agenda de viagens do santo padre assinala apenas rápidas passagens pela Alemanha, Polônia e Espanha. No mais, ateve-se sua santidade ao Vaticano. Em tal cenário, fica ressaltado o privilégio do Brasil em receber Bento XVI para uma estadia de cinco dias. Marcará, esta visita ao Brasil, uma mudança na política de viagens do papa? Ou o destaque brasileiro seguirá isolado? O que significará essa presença de Bento XVI na América Latina (considerando esse canto do mundo como um histórico habitat católico e, ao mesmo tempo, uma região marcada por distintas interpretações da doutrina de Roma)? Não tardarão respostas, até porque Bento XVI, desde seus tempos de Joseph Ratzinger, nunca foi partidário de meias palavras. Por tudo isso, quaisquer oráculos, em uníssono, poderão facilmente prever marcos históricos nesta visita do papa Bento XVI ao Brasil. De hoje até domingo, toda atenção às falas do sumo pontífice. De hoje em diante, os historiadores terão muito trabalho em pesquisar os bastidores desta significativa excursão ao Brasil.