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Bebidas alco�licas, acidentes e viol�ncia

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| José Medeiros * A propaganda de bebidas alcoólicas no Brasil é regulada por lei, no entanto, apenas são consideradas aquelas cujo teor de álcool alcança 13 graus ? o que não é o caso da cerveja. Porém, essa bebida possui papel de destaque entre as que são consumidas no Brasil. Uma psicóloga que estuda os efeitos do álcool na adolescência afirma ?que a iniciação está acontecendo cada vez mais cedo, ou seja, entre 12 e 14 anos, e que o excesso de propaganda da cerveja é uma das causas que os encoraja a beber?. Um fato relatado não é incomum: alguns jovens divertem-se numa festa de amigos; bebem cerveja num bar da esquina. Ficam relaxados e alegres, desinibidos. Horas depois, um deles lembra o refrão: ?Se beber, não dirija. Se dirigir, não beba?. Todos riem. Isso é coisa de velho, diz um deles, não vamos deixar nossos automóveis para ninguém. Depois, seguem viagem em velocidade excessiva. Um dos veículos choca-se violentamente num poste; dois dos ocupantes morrem na hora. O Estatuto da Criança e do Adolescente proíbe a venda de qualquer tipo de bebida alcoólica para menores de 18 anos. Isso não é obedecido, burla-se a lei. Muitas vezes, o mau exemplo começa em casa. A família preocupa-se com drogas; porém, permite o consumo de álcool em doses exageradas. Participo do Conselho Estadual de Entorpecentes e tenho acompanhado o efetivo trabalho dessa entidade no campo da prevenção. Estudos recentes constataram que 52% das vítimas de homicídio e 51% dos que faleceram em acidentes de trânsito, apresentavam álcool na corrente sanguínea, em níveis mais elevados do que o permitido por lei. Está em discussão, em todo o País, proposta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que cria restrições às exageradas propagandas de cerveja nos meios de comunicação. Essa divulgação apela para os corpos bonitos e saudáveis de astros e estrelas da música e do esporte, com o objetivo de influenciar adolescentes e jovens. Recentes estudos científicos têm sido realizados sobre as conseqüências do álcool na vida dos adolescentes: apontam para o fato de que ?beber é muito mais danoso para o cérebro do adolescente que para o do adulto. Os efeitos, a longo prazo, são bastante indesejáveis: ?déficits? de aprendizagem, de memória e dificuldades de autocontrole?. Um alerta vermelho a ser considerado. (*) É médico e ex-secretário de Saúde e de Educação.

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