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Opinião

O S�o Francisco � a nossa Calif�rnia

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| Sérgio Papini Uchôa * Alagoas tem inúmeras oportunidades. A ocupação racional da região do Rio São Francisco é fundamental. Discutimos há décadas a importância do canal do Sertão e não aproveitamos o canal natural que é o próprio rio. Estudos de viabilidade devem ser promovidos no sentido de avaliar a potencialidade de ocupação turística às margens do rio. Estudos minuciosos de solo realizados pela Embrapa já foram disponibilizados ao governo do Estado. O paradigma de que todo o solo da região é salinizado ou salinizável precisa ser avaliado e, se for o caso, quebrado. A identificação das áreas disponíveis para agricultura irrigada às margens do rio potencializa uma imensa gama de alternativas para o incremento do PIB alagoano. A grande demanda por bioconbustíveis viabilizará os aportes financeiros para produzirmos não apenas álcool e biodiesel, mas desenvolvermos complexos agro-industriais-energéticos a partir de novos modelos fundiários como os de Pindorama em Alagoas e/ou do grupo Tércio Wanderley em Minas. Uma indústria de etanol a partir da cana, se utilizar das tecnologias hoje disponíveis, tem um superávit energético fantástico tanto do ponto de vista elétrico como de sobra de vapor. Esse superávit viabiliza a independência energética para captação de água, irrigação, fabricação conjunta de álcool e biodiesel e fornecimento de energia, vapor, água tratada e tratamento de efluentes para outras indústrias de beneficiamento de alimentos ou não, que seriam instaladas ao lado para se beneficiar de todas as utilidades geradas. A multiplicação do modelo viabilizaria vários distritos agro-industriais-energéticos no Sertão. A captação de água para irrigação a jusante de Xingó, em nada atrapalharia a geração de energia, restando avaliar o imposto ambiental para saber quanto de água poderíamos retirar do rio. Projetos agro-industriais em regiões da baixa pluviosidade têm a grande vantagem de possibilitar o fornecimento à planta da quantidade exata de água necessária ao seu crescimento e/ou maturação. Assim, pode-se colher as safras agrícolas de 10 a 11 meses por ano. Do ponto de vista logístico, a região está, em média, a cerca de 200Km do Porto de Maceió, o que já é grande vantagem comparativa. A ferrovia que cruza o rio em Porto Real do Colégio é outra facilidade que brevemente voltará a ser disponibilizada pela CFN. (*) É presidente da Associação Comercial de Maceió.

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