Opinião
No caminho das confer�ncias episcopais
| Dom Antonio, o Carm. * Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que n?Ele nossos povos tenham vida, ?Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida?. Sob esse tema, delegados de 22 Conferências Episcopais da América Latina e do Caribe celebrarão a 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, a partir de hoje, até 31 de maio, aqui no Brasil, no Santuário de Aparecida, em São Paulo. Antes de dizermos algo a respeito de nossas expectativas para a 5ª Conferência, olhemos para as quatro Conferências anteriores. A primeira aconteceu em 1955, no Rio de Janeiro. No entanto é segundo o espírito do Concílio Vaticano 2 que se desenvolvem suas primeiras Conferências Gerais. Porque, na verdade, a Conferência do Rio de Janeiro deixou, como marca, a existência do próprio Celam (Conselho Episcopal Latino Americano). Sua preocupação era quase exclusivamente interna, afirmando, de modo um tanto apologético, a Igreja diante do mundo e das outras religiões. A preocupação pastoral não é a tônica do documento, apesar de algumas pequenas frases indicarem uma preocupação pastoral. Portanto, essa Conferência Geral não fez história mais significativa no seio da Igreja latino-americana. O que vai ocorrer com a Conferência seguinte, a de Medellín, em 1968, e depois com as outras subseqüentes é bem diferente. Costuma-se dizer que Medellín, se não é a certidão de nascimento do Celam, é o batismo da Igreja latino-americana; enquanto Puebla, em 1979, é a sua confirmação. Essas conferências, incluindo aí também Santo Domingo, em 1992, situam-se na linha do Concílio Vaticano 2, de acordo com o espírito norteador de duas constituições daquele Concílio, a Lumen Gentium e a Gaudium et Spes, reconhecidas como os dois grandes eixos do Vaticano 2. Medellín (1968): Procurando ver a ?Igreja na atual transformação da América Latina à luz do Concílio?, essa conferência dá o pontapé inicial para uma transformação na vida da Igreja. Se a Conferência do Rio havia dito apenas algumas palavras sobre a situação de vida do povo e sobre a organização social, e isso no fim do documento, Medellín faz o caminho inverso: parte da realidade social, serve-se do conhecido método ver-julgar-agir e aproxima a Igreja da vida do povo. Puebla (1979): querendo pensar a evangelização, essa terceira conferência aprofunda a leitura da realidade do continente e, seguindo o mesmo método de Medellín, conclui que a situação de injustiça social é um pecado a combater e aponta caminhos, com base na opção pelos pobres, para que isso se faça. Bebendo da inspiração da Evangelli Nuntiandi de Paulo VI, publicada alguns anos antes (1975), Puebla reconhece que o caminho da evangelização passa pela promoção da dignidade humana e, portanto, o engajamento pela libertação dos pobres é um dos compromissos que se espera da Igreja. São observações sobre três das quatro conferências anteriores a esta de Aparecida. Meditem sobre isso, que no próximo domingo seguiremos no tema. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.