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Opinião

Em favor dos direitos humanos

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| Dom Fernando Iório * Se há, no Brasil, alguma entidade que lutou pelos direitos humanos, outra não existe, senão a Igreja Católica. Durante o regime militar foi ela que em alto e bom som, gritou pelos direitos humanos, antes mesmo dos partidos políticos e dos Meios de Comunicação Social. Entretanto, conhecida revista brasileira, por ocasião do falecimento de dom Ivo Lorscheiter, uma das personagens mais importantes da igreja, nas últimas décadas, pela sua vida em prol dos direitos humanos, o acusou como alguém que incitara a violência em nosso País e estimulara grupos armados. Recentemente, o Santo Padre Bento XVI houve por bem publicar a belíssima Exortação Apostólica Sacramentum Charitatis, sobre o amor que a eucaristia infunde nos diversos setores da vida humana e social e a poderosa mídia a reduz a velho retorno ao conservadorismo contra casais que se unem quebrando o vínculo do primeiro matrimônio e a volta do latim na liturgia. O atual presidente da República que durante a sua militância política se serviu da sombra da Igreja para livrar-se de certas perseguições, não se acanha de criticar a CNBB, na qual tanto se refugiou, por ter a Conferência feito oposição à distribuição de preservativos nas escolas públicas, cheias de carteiras escolares quebradas, quadros imprestáveis e tetos em desmoronamento. E como exceção à regra, os repetidos elogios dos jornais à atitude presidencial. Nenhum esforço de contextualização das opções feitas pela Igreja e das palavras proferidas por seus representantes: apenas e só uma cansativa repetição dos mesmos chavões e preconceitos de sempre. E perguntamos: Superficialidade ou má-fé? Pode ser um pouco dos dois, ou também ignorância ou ?miopia histórica? que impedem a certos jornalistas e intelectuais de perceberem o caminho que a Igreja palmilhou ao lado ser humano. Até grandes historiadores ? alguns dos quais, sem referência religiosa ? têm reconhecido a importância da igreja na construção e na defesa de um dos maiores valores da cultura moderna: ? a centralidade do homem e o respeito à sua dignidade. Queremos acreditar que tem a mídia a mesma preocupação de zelar pelo direito à livre expressão. Não falamos de favores que a mídia pode conceder; mas do direito a uma informação rica e menos sujeita à nova ?ideologia? do relativismo. Falamos do respeito ao direito de continuar acreditando num mundo de valores mais sólidos e mais profundos, do direito de escutar aqueles que os defendem, e de exigir que, também, a mídia os respeite. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios.

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