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Opinião

Sociedade excludente

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| Anilda Leão * A recente tragédia acontecida nos Estados Unidos, quando um jovem de origem coreana abriu fogo contra os próprios colegas de universidade, matando cerca de trinta pessoas naquele País que se proclama ser o mais poderoso, mais democrático e mais justo do mundo e que vive a querer impor seu modo de vida aos quatro cantos do planeta, deixou-nos algumas dúvidas: seria ele mentalmente desequilibrado, um psicopata terrivelmente monstruoso para praticar esse hediondo crime e, logo após, cometer suicídio? Ou seria o resultado de um modo de vida que preza, acima de todos os valores, o dinheiro, o ter em lugar do ser? Ou as duas coisas juntas, numa combinação que se revelou nefasta para tantos inocentes? Sabemos todos que o preconceito, sobretudo o racial, faz parte daquela sociedade que ainda é a mais poderosa e rica do mundo, principalmente quando juntamos ao aspecto racial o da pobreza que, aliás, quase sempre andam juntos pelos recantos mais afastados dos centros abastados, nas periferias das grandes e médias cidades. Nesses recantos, onde a riqueza que é desperdiçada nas guerras e nas tentativas de dominação do mundo, vem a faltar aos próprios americanos menos aquinhoados pela sorte, como tivemos a oportunidade de ver, nos episódios do furacão que atingiu New Orleans e, mais recentemente, quando tornados atingiram determinadas regiões do País e não se dispunha de simples máquinas que ajudassem a retirar os entulhos de uma pequena cidade do interior, pois todas haviam sido deslocadas para ajudar na carnificina que ora se perpetua no Iraque. E ao falar de preconceito, lembramos uma frase de Einstein: ?Triste época a nossa, em que é mais difícil quebrar um preconceito do que um átomo?. Não queremos justificar, com isso, o ato bárbaro cometido por aquele jovem que, há muito já deveria ter sido recolhido a alguma instituição psiquiátrica. Mas, por já ter testemunhado, mesmo aqui em nosso Estado, a tantos casos de exclusão social por motivos econômicos ou de raça, creio ter sido esse um dos componentes decisivos para aquela decisão tresloucada, num mundo em que os jovens vivem em rodinhas de amigos que muitas vezes são tão difíceis de penetrar, principalmente quando se é tão ?diferente? da maioria. (*) É escritora, poeta e atriz.

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