Opinião
Hospital Jos� Carneiro
| IB GATTO FALCÃO* Luiz Cavalcante, logo empossado no exercício do poder, confiou-me exercer ações de saúde pública do governo que se iniciava. Projetamos, então, uma fundação pública mais moderna que a então existente, baseada em um projeto de hospital em fase inicial de construção. Realizado o trabalho, tornou-se obra de real sentido social no exercício da assistência pública, como, na seqüência, tornando-se pedra fundamental de uma escola de ensino médico, que o governador do Estado, por motivos superiores, foi levado a estruturar. O novo Hospital Dr. José Carneiro, no governo Lamenha Filho consolidou a Escola de Ciências Médicas de Alagoas, respaldada por referências elogiosas do Ministério da Saúde como capaz de acolher o curso médico que se propunha a realizar. Decorrem os tempos, o Hospital Dr. José Carneiro foi acrescido, cada vez mais, das condições necessárias, de origem médico- assistencial, para firmar a vitoriosa iniciativa. Sucedem-se os anos, multiplicam-se os números de beneficiários do aprendizado médico oferecido. Agora, subitamente, providências de demolição do hospital executam-se, à margem dos melhores princípios de bom senso e defesa do interesse público. Como se não bastasse, simultaneamente com a demolição, desaparece com a estrutura física a homenagem ao grande brasileiro. O nome de José Carneiro, não sei se sabem tão diligentes demolidores, registrava o apreço da comunidade no cidadão que a ela sempre serviu com trabalho digno e benemérito. A destruição efetuada, além do desrespeito à iniciativa do governador que a realizou, atinge a imagem do homenageado, que, na paz do túmulo, já não pode ser alcançado, mas para nós outros alagoanos é oportuno anotar algumas palavras sobre a memória de um médico de prol, pleno do respeito e da admiração de todos que o conheceram. José Carneiro foi o pioneiro da cirurgia alagoana. Vinculou perpetuamente seu nome às obras assistenciais do Estado. Dirigiu o Serviço Médico legal do Estado, foi prefeito de Maceió, foi orientador técnico do Serviço de Pronto Socorro do Estado, de par com uma atividade profissional excepcional, em caráter exclusividade assistencial, nas organizações de saúde de Alagoas. Atingir assim a homenagem a uma figura deste porte é pecado que macula, sem nenhuma dúvida, a honorabilidade do povo alagoano. (*) É médico e presidente da Academia Alagoana de Letras.