Opinião
Navalha na carne - Editorial
Talho largo e profundo, aberto pela navalhada da Polícia Federal, está a expor as vísceras que digeriam, ilegalmente, verbas federais. Ninguém é culpado até prova em contrário, portanto cabe a todos os suspeitos detidos todos os direitos de defesa; não é o caso de se antecipar a condenação de nenhuma pessoa, mas é fundamental se reconhecer que a ação da Polícia Federal merece os elogios da sociedade ? por vários motivos. Em primeiro lugar, ações deste tipo, alcançando nomes próximos ao topo da pirâmide, demonstram para o cidadão, para a cidadã, que ninguém pode estar acima da lei. Outro aspecto igualmente importante é o expresso na defesa da justa aplicação do dinheiro público. Afinal, durante muitas décadas, a questão do desvio de recursos do erário só tem sido tratada de forma político-eleitoral, e, em muitos casos, ao arrepio da Lei e do espírito de justiça. A recente ação da Polícia Federal corta esse lamentável vício. Não é de menor importância a comprovação, em si, do desvio de recursos públicos. A que tudo indica, a investigação reuniu evidências e provas contundentes de tal prática. Está em curso a investigação final sobre todos os responsáveis por este crime, mas as falcatruas estão sobejamente comprovadas ? segundo as informações divulgadas. Isto posto, devidamente confirmado, representa mais um avanço da cidadania, pois a corrupção deixa de ser bandeira politiqueira e vira, legal e legitimamente, caso de polícia e de justiça. Além do aplauso pela ação altamente organizada, em todo País, resta aos cidadãos e as cidadãs do Brasil, cobrar das autoridades que seja mantido bem afiado o gume da navalha da polícia (e da justiça) e que sejam inapelavelmente cortados as teias do desvio de verbas no Brasil. Igualmente, que seja decepada a prática da manipulação político-eleitoral da ética no serviço público.