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Opinião

�ndices da pobreza

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Um retrato da pauperização dos municípios alagoanos e da estagnação da economia brasileira pode ser visualizado na matéria publicada, na edição de domingo, 16 de junho, da GAZETA DE ALAGOAS. Em sua página A11, está estampada em manchete, a seguinte realidade: O INSS injeta mais recursos que o FPM em 48 municípios (alagoanos). Parece incrível, pois a situação brasileira supera o ?ver para crer?, mas é verdade. O Fundo de Participação dos Municípios (FPM) consegue ser menor que o valor pago pela Previdência aos aposentados e pensionistas em quase metade do Estado de Alagoas. E levemos em consideração, salvo raras exceções, que o pago pela Previdência a seus beneficiados é uma miséria. Ao se ler essa manchete, pode-se pensar que tal realidade castiga apenas os municípios mais sofridos, isolados nos grotões e desprovidos de quaisquer traços de industrialização. Ledo engano: Maceió está incluída nessa lista. Município mais industrializado, com amplo comércio, base de todas as repartições públicas, a Capital alagoana deveria estar fora desse fosso. Mas não só está mergulhada, como afunda com capricho nessa diferença entre o FPM e os benefícios. Tomando como base as cotas de maio de 2002, Maceió recebeu do FPM R$ 8,8 milhões, enquanto no mesmo período a Previdência liberava R$ 25,6 milhões na capital de Alagoas. Não estariam errados esses números? Ou a economia é quem está deformada? Sem dúvida, mesmo que justificativas sejam apresentadas (o governo federal é doutor em desculpas bonitinhas e ordinárias), a realidade da pesquisa é inegável e confirma a atrofia social e econômica acentuada pela dupla gestão de FHC. Nos municípios menores, onde a realidade aparece de forma mais crua, os segurados da Previdência são considerados os ?ricos?, a ?elite?. Cruel ironia. Falta de desenvolvimento, estagnação do crescimento econômico, conformismo político estão na base dessa caricatura sociológica. Uma vergonha que deveria ser riscada do mapa.

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