Opinião
Democracia e liberdade
| Milton Hênio * ?Ó liberdade, quantos crimes se cometem em teu nome? ? Madame Roland. Naturalmente, ninguém poderá sonhar com o paraíso na terra. Crises, o mundo sempre as teve. Sejam crises políticas ou econômicas. Porém nunca vimos, como nos últimos tempos, tantos atos injustos, tanta corrupção, tantos desacertos, tanta falta de ética, praticados por alguns políticos em várias capitais e municípios brasileiros, assim como no Congresso Nacional, na magistratura e na própria policia. Estamos em plena democracia, já perfeitamente consolidada. Mas que democracia é essa onde os crimes são praticados e o dinheiro público dilapidado, sem nenhuma punição! Democracia é isso? A juventude inquieta questiona constantemente esses fatos pensando como será o seu futuro. A verdadeira democracia é aquela que se criou e implantou no mundo civilizado, onde os direitos de cidadania e da pessoa humana são uma realidade. É aquela que se torna forte, porque se fortaleceu no direito e na justiça, que se tornou respeitada, porque se inspirou na ética, no humanismo e na dignidade humana. Em nosso querido Brasil criou-se um sistema democrático em que o cidadão, uma vez eleito para uma função de legislador (há exceções é claro) trai a confiança dos que lhe elegeram e, ao sabor de suas conveniências pessoais, transforma essa outorga, essa honraria, essa importante missão num balcão de negócios, trabalhando não só pela sua comunidade, mas em benefício próprio e dos amigos. Diante desses acontecimentos atuais ficamos saudosos do passado, quando homens públicos marcaram época na vida política do Segundo Império: Nabuco, Ouro Preto, Rui Barbosa. E na vida republicana mais recente, tivemos grande políticos como Carlos Lacerda, Afonso Arinos, Otávio Mangabeira, Bilac Pinto e tantos outros, que engrandeceram o nosso Congresso Nacional, transformando aquela Casa num cenáculo da inteligência e da cultura, com grandes vôos de idéias em beneficio do Brasil. Nossa democracia será plena no dia em que o cidadão souber usar conscientemente o seu voto, para buscar numa verdadeira seleção de valores os seus dirigentes, aqueles mais aptos, mais honestos, intelectual e moralmente capazes, coerentes nas suas idéias e firme nas suas convicções. Quando o cidadão souber falar e ouvir, ordenar e obedecer, ter opiniões, ser livre e respeitar a liberdade e repudiar o embuste e a mentira. (*) É médico ([email protected]).