Opinião
Obras assassinadas - Editorial
Certamente, muita substância ainda deverá correr pelos cortes desferidos pela Operação Navalha. Afinal, os depoimentos mal começaram e o status de prisão preventiva (salvo interrupções dessa condição pela via judicial) determina um prazo de 81 dias de detenção, o que convenhamos, parece ser um tempo mais que suficiente para devolver a memória e reativar lembranças detalhadas dos que estão sob custódia. Injusto é, portanto, fazer-se prévio julgamento. Mas, desde agora, é fundamental distinguir alguns dos crimes que estão sob investigação. O primeiro, e mais óbvio, seria o superfaturamento dos valores cobrados ao erário. Logo em seguida, toma-se conhecimento da evidência de manipulação nas concorrências e da corrupção envolvendo agentes públicos e entes privados. Também não é novidade a politização e partidarização do movimento fraudulento. Dentre essas e outras falcatruas, não se pode perder de vista uma das mais danosas formas de malversação do dinheiro público: o abandono das obras. Como pode ser lido nas matérias publicadas no domingo (20 de maio de 2007), aqui na Gazeta de Alagoas, várias obras, de grande interesse público, foram simplesmente abandonadas. Mesmo que os valores originais não tivessem sido superfaturados, mesmo que as concorrências tivessem sido corretas, mesmo que políticos e empresários não tivessem se locupletado com verbas públicas ? mesmo assim foram cometidos crimes, pelo fato inquestionável de tais obras quedarem-se inacabadas, portanto imprestáveis. Não se pode tolerar tal espetáculo de dinheiro e esperança pública desperdiçada. A conclusão de todas essas obras deve ser uma das primeiras cobranças cidadãs, desde agora, desde o início das investigações. Sem prejuízo das demais penas às quais fazem jus os responsáveis pelo assalto aos cofres da Nação.