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Opinião

M�sica, maestro!

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| Edécio Lopes * Vivíamos uma época de grandes apresentações artísticas na churrascaria do Estádio Rei Pelé. Em um certo dia, recebemos uma carta, proclamando as qualidades de um solista que ali estava atuando e que, com excepcional desenvoltura, tirava melodias encantadoras e de grande sucesso do seu saxofone ou de um delicioso clarinete. Seu nome: Ivanildo Rafael. Foi o suficiente para que identificássemos nesse artista, o autor de um frevo de extraordinária beleza, de grande sucesso em vários carnavais, o maravilhoso ?Metralhadora Ina?. Fomos ao seu encontro, trocamos as primeiras palavras e em pouco tempo, estávamos juntos, plantando sementes que fariam germinar árvores produtivas no campo muito fértil da música alagoana. Ivanildo fez nascer a sua ?Big Banda Show? e nos deu um extraordinário apoio para a realização do Alafrevo, o Festival do Frevo de Alagoas, de tantas revelações e tanto sucesso. Arranjos monumentais, em qualquer ritmo, revelavam-nos que a música não tinha segredos para o grande maestro. Mas era no frevo, o nosso frevo, em que ele se apresentava de corpo inteiro, esbanjando categoria, vestindo com os sons a que dominava em grande estilo, páginas memoráveis, inesquecíveis. Ivanildo teve como berço a mesma cidade pernambucana, na qual nasceram o respeitabilíssimo Maestro Nelson Ferreira e o notável músico Felinho, introdutor das ?variações? no Frevo dos Vassourinhas. Bonito que, num tempo muito distante foi a sede do município ao qual pertenceu a hoje grande cidade de Caruaru. Militar, esteve em pontos distintos e distantes deste Brasil, desde Manaus ao Paraná, passando por Brasília e, evidentemente, Alagoas. Foi lá em Manaus que conheceu a sua Lucila, companheira de 50 anos de jornada. É de sua autoria uma fanfarra especial para o hasteamento da bandeira do Brasil, adotada pelo Exército Brasileiro. Muitos dos seus frevos foram gravados pela Banda do 14º R.I. e pela própria ?Big Banda?. Nos últimos anos, era presidente da secional alagoana da Ordem dos Músicos do Brasil. Chefe exemplar de uma família muito bem construída, deixa filhos e netos e uma legião imensa de amigos e admiradores. Ele faleceu ontem, em São Paulo, vítima de problemas coronarianos. Agora que soaram os acordes finais de sua existência, que se levantem para calorosos aplausos, todos aqueles que dançaram ao som de sua orquestra, nos grandes bailes da vida, que se deixaram envolver pelas melodias executadas em belíssimos dias de sol ou enluaradas noites, num tributo a quem fez da música uma razão especial para saudar a grandeza de Deus, na inspiração dele recebida. (*) É radialista, compositor e especialista em Música Popular Brasileira.

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