Opinião
Cortes r�pidos - Editorial
Depois de liberados mais da metade dos detidos sob a acusação de integrarem, em diversos níveis, uma quadrilha formada a partir da construtora Gautama (apontada como especializada em desconstruir os cofres públicos), as atenções dos brasileiros continuam presas a esse caso. Especialmente Alagoas segue atenta, acompanhando as démarches das investigações e dos detalhes divulgados, a conta-gotas, pelas autoridades. Infelizmente, a destacada participação de alagoanos neste imbróglio aparenta ter sido bem além da conta. Por enquanto, as informações divulgadas têm alimentado a opinião pública sobre o que seria um dos esquemas mais fundos e duradouros de desvio do dinheiro público. Até agora, os louros seguem sendo depositados na conta da Polícia Federal, do Ministério Público e do Superior Tribunal de Justiça. E ?La nave va?, como diria Fellini. Mas aonde dará esta nau? Em quais praias, ou portos, lançará suas âncoras? A cidadania brasileira precisa de um porto seguro, sinônimo de descoberta, de viagem completa. Quem são os culpados? Quais penalidades ao fim dos processos? Quanto foi roubado? Quanto poderá ser recuperado? Quais os cronogramas para conclusão das obras inacabadas? Polícia e Justiça estão dando aulas de eficiência. Hoje, inegavelmente, pode parecer contraditória a alternância prisão-libertação de parte dos envolvidos. É natural que neste momento, a rápida seqüência desses acontecimentos alimente as descrenças da população sobre um completo esclarecimento do caso e, em seguida, a merecida punição aos julgados culpados. Termos como ?pirotecnia?, ?impunidade? e ?manipulação política? ecoam nos ouvidos brasileiros. E isto tem de mudar. É ótima a oportunidade de não deixar cegar o fio da navalha ética e imprimir o ritmo, o sentido e a direção corretos, apropriados aos sentimentos de cidadania.