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Opinião

Para o folk n�o dan�ar

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| Marcial Lima * Quatro Guerreiros, um Pagode Alagoano, um Coco de Roda, um Pastoril e uma Baiana, da região de Bebedouro, serão beneficiados com o projeto Chã de Folguedos, numa parceria da Fundação Municipal de Ação Cultural com o Ministério da Cultura. O desafio proposto é a estruturação de um pólo de danças e folguedos tradicionais, dentro de um processo de articulação comunitária, contemplando espaço para ensaios, oficinas de capacitação e a inserção social, sem deixarmos de atentar para as especificidades de cada manifestação, respeitando seus aspectos identitários. Como se vê, a iniciativa envolve cuidados, na medida em que os apelos da espetacularização, à guisa de desenvolvimento sociocultural, pode trazer-nos a tentação de, simplesmente, inserirmos nossas manifestações folclóricas entre os produtos comercializáveis, destituindo-as de sua dimensão simbólica. Por outro lado, tê-las como resquícios do passado no presente, cristalizando-as, podemos cair na tentação de ignorá-las como realizações de um povo historicamente situado, logo, sujeitos à dinâmica da própria história. Roger Bastide, já na década de 50, observava que o folclore não flutua no ar, só existe e é compreensível quando incorporado à vida da comunidade. Estudá-lo sem levar em conta a sociedade onde está inserido ?é apreender-lhe, apenas, a superfície?. Em conseqüência, o significado de sua localização no espaço urbano, as situações de cooperação ou de conflito entre os grupos, as boas intenções puramente assistencialistas são situações a serem consideradas, para que não venham sufocar ou inibir iniciativas mais consistentes, sincrônicas com o que vem se discutindo em vários seminários Brasil afora, onde se apontam soluções, para os principais problemas enfrentados pelas culturas populares tradicionais e de seus diversos agentes. O projeto Chã de Folguedos se acautela, também, do diletantismo erudito de que já falava Amadeu Amaral em 1920, onde muitos se contentam com coleções de textos, expondo as manifestações folclóricas como produtos prontos e acabados, descrevendo indumentárias, instrumentos musicais, gestos e coreografias, sem atentar para as condições de produção. Um contra-senso, porquanto pesquisas realizadas, tendo como estudo o folclore francês, evidenciam que a miséria é mais perniciosa para as culturas populares tradicionais do que a modernidade. (*) É presidente da Fundação Municipal de Ação Cultural.

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