Opinião
Mudan�a de rumos - Editorial
Dentre as lições advindas da Operação Navalha, cujo corte ainda está aberto, será de extrema importância para a ética cidadã uma mudança radical, por parte dos poderes constituídos, nas ações de fiscalização das obras custeadas por verbas públicas. Naturalmente, em primeiro lugar está o ressarcimento do erário em todos os valores (devidamente corrigidos) desviados dos cofres públicos e a punição (criminal) exemplar de todos os envolvidos nos golpes em apuração. Mas, ao mesmo tempo, não podemos esquecer que as obras públicas não podem parar ? e quais as medidas preventivas, inovadoras e eficazes, que se pretende tomar? Além de prender os ladrões hoje pilhados com a boca na botija, temos que nos prevenir dos larápios do momento seguinte. São evidentes as falhas no sistema de acompanhamento da aplicação das verbas públicas, senão não se demoraria tanto para se identificar esquemas comentados a tanto tempo. Mas, no caso de se considerar fofocas os comentários de bastidores, como se justificar o atraso de obras como a Macrodrenagem do Tabuleiro? Essa e outras realizações custeadas pelo erário tornaram-se tão longevas que poucos cobravam sua conclusão. Como se justificar isso? E será que apenas a Guatama armava maracutaias? Assim, ao mesmo tempo em que se investiga com precisão e rapidez os desvios e descaminhos nos quais se esvaíram milhões de reais, é-se indispensável mudar os sistemas operacionais que possibilitaram tamanhas falcatruas. Que sejam modificados os procedimentos de apresentação das emendas; alterados os métodos de aferição e pagamento das etapas realizadas. Enfim, que dessa sofrida experiência saia algo mais que a comprovação de esquemas ilícitos. Além de resultados adequados às denúncias divulgadas, a Nação deve exigir mudanças de rumo reais, e radicais, no trato dos bens públicos.