Opinião
Valoriza��o da vida
| José Medeiros * Dona Elvira debatia-se com as dificuldades e os dilemas sobre a educação dos filhos. Livros já leu muitos, mas na prática a teoria sempre tomava outros caminhos. Teve uma educação rigorosa, num internato na cidade de Garanhuns; foi obediente e seguiu as orientações dos pais. Entretanto, há muito tempo, já se convenceu de que cada geração tem novas perspectivas e anseios. Procurava adaptar-se aos novos tempos. Às vezes, se embatucava. Como proceder em relação à sua filha Janice, de 12 anos, que insistia em ir com as amigas a boates de adultos? Diálogo, persuasão, ameaças, enfrentamentos, passaram a ser habituais em sua casa. Abrir mão de sua autoridade, jamais. Estabelecia limites. Fazia autocrítica e de nada se culpava. Educava sua filha dentro da realidade, mostrando o lado bom da vida e enfatizando os perigos e as dificuldades que ela poderá enfrentar: concorrências desleais e falsas amizades. Agir com bom senso era aconselhável. Repetia: se eu lhe digo que você não pode ir a boates, esta é a minha orientação. Admito que reaja, choramingue, porém jamais admitirei que ameace fugir de casa. Essas criancices você deve superar. A cada acontecimento, procure recuperar-se, pois, a vida continua e ela é boa para quem sabe aproveitá-la. Como a filha valorizava bem o dinheiro, pois sabia administrar sua mesada, contou-lhe uma historieta que ouviu de uma amiga: ?Um professor perguntou aos alunos: levante a mão quem quer uma nota de 100 reais; mãos foram levantadas de imediato. Amassou a nota e repetiu a pergunta; igualmente, os gestos foram repetidos. E agora? Jogou a nota no chão, pisou-a, esfregou-a como se quisesse destruí-la. Depois apanhou-a e perguntou: Quem ainda a quer? As mãos se ergueram. Todos sabiam, que mesmo amassada, ela não perderia o valor?. A mãe concluiu: se você valoriza o dinheiro, deve valorizar muito mais sua própria vida. Quando lhe surgirem decepções e contrariedades, receber ?nãos? ou ficar amargurada, acredite que pode vencer tudo isso. Como Janice continuava amuada, a mãe entregou-lhe um texto para que lesse: ?Uma pessoa que anda mal-humorada, cabisbaixa, de mal com a vida, não tarda a ser invadida por pensamentos e sentimentos negativos, fica pessimista. Tudo lhe parece difícil, impossível de ser conseguido. Por essa razão, sorria sempre. Quem sorri tem mais facilidade de achar a vida interessante e de enfrentar dificuldades com mais coragem e otimismo?. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.