Opinião
Sem punir as v�timas - Editorial
Uma verdadeira enxurrada de denúncias tem caído sobre a opinião pública. E, mais uma vez, Alagoas está no meio dessa agitação. Como se não bastassem as notícias emanadas da Operação Navalha, envolvendo o governo federal e o governo estadual, também a prefeitura da capital é atingida por denúncias de desvio de dinheiro público. Em geral, a denúncia é um ato de coragem. E quando se trata dos bens públicos, as denúncias sobre sua dilapidação são atos valorosos de coragem cidadã. Não pode, nem deve, a cidadania ficar a deleitar-se com as denúncias, festejando-as como atos em si, como se os casos relatados se encerrassem por aí. Depois da denúncia, seja produto da investigação policial ou da observação dos cidadãos, é indispensável zelar pela eficiência dos procedimentos subseqüentes, findando com a cobrança de veredictos adequados a cada caso denunciado. No caso mais comentado, envolvendo a construtora Gautama e associados, não podemos deixar de repetir que é inaceitável que o povo alagoano seja punido de novo ? ou seja, depois de ser surrupiado de verbas federais, sofrer de vetos ou interrupções nos projetos de obras custeadas pela União. Os culpados têm de ser punidos, mas o Estado de Alagoas e seu povo, inocentes evidentes, não podem servir de bode expiatório neste processo em curso. Da mesma forma, no tocante à denúncia sobre a manipulação de Organizações Não-Governamentais em convênios com a prefeitura de Maceió, não podem as ONGs (as inocentes) serem as únicas punidas, no caso de comprovação de desvio de recursos. É necessário preservar os interesses e direitos do Estado de Alagoas, e das entidades não governamentais que atuam em Maceió. A justa motivação de punição para os delitos cometidos não pode descambar para a imolação dos entes inocentes envolvidos nessas ações.