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Opinião

O drama da sa�de

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| Milton Hênio * Assistimos estarrecidos todos os dias pela televisão, claro que nos entristece, não só no Brasil como particularmente na nossa querida Maceió: hospitais lotados, nossa Unidade de Emergência superlotada de doentes espalhados pelo chão, pelos corredores, nossos berçários superlotados de recém-nascidos, nos postos de saúde com filas intermináveis, todos pedindo socorro. A população cresce demais e os espaços são os mesmos. E agora, como fica a coisa? Qual a solução? Tem que ser urgente! Drogas, violência, egoísmo, sexo, prostituição infantil, ódio, vingança, atos de corrupção, tudo isso sem limites tem levado o homem moderno a um verdadeiro estado de loucura, e ainda mais com essa falta de assistência médica quando a doença lhe bate à porta. O mundo que vivemos hoje parece desumano. E nessa luta diária pela sobrevivência o homem será o vencedor de si mesmo ou o perdedor de si mesmo. Não há duas alternativas. Quando terminei o meu curso médico em 1962, o Brasil era considerado pela OMS um imenso hospital sem médicos. Hoje, graças a Deus, temos médicos suficientes. O grande problema é o volumoso número de pacientes que a cada dia aumenta e que precisa de um atendimento médico. As precárias condições do povo brasileiro são alarmantes. Os médicos lutam desesperadamente para salvar vidas, mas já não estão conseguindo, só com o seu esforço, compensar todas as carências do sistema. É uma lástima que depois de tanto esforço ? seis anos de intensos estudos e mais dois ou três de residência ? o jovem profissional da medicina encontre obstáculos de toda sorte para tentar praticar uma medicina decente. A falta de eficiência, de estrutura, de equipamentos e até de remédios em muitos hospitais brasileiros, causam sofrimento aos pacientes tratados em camas improvisadas e submetidos a situações de extremo constrangimento. Portanto, não faltam profissionais para o bom exercício da arte de curar. O que falta é decisão política de fazer a coisa certa, onde os doentes possam ser bem atendidos e os médicos realizados, aliviando o desespero dos enfermos. A medicina vive literalmente do sofrimento humano e a força grandiosa de nossa profissão e talvez o seu maior encanto, estão ainda no trato com todo aquele que em sofrimento nos bate à porta. A doença está em ascensão porque nosso modo de viver está cada vez mais ameaçado por pressões cada vez maiores. A doença é a expressão do desequilíbrio que ocorre dentro de cada ser. (*) É médico ([email protected]).

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