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A falta que Teot�nio faz

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| Renan Calheiros * Ele nos deixou há 24 anos, mas sua determinação, sua luta incansável contra o arbítrio e a injustiça social até hoje nos fascinam. Seu espírito público, seu amor por Alagoas e pelo Brasil ainda nos inspiram e iluminam. Teotônio Vilela, o eterno cavaleiro da democracia, estaria completando 90 anos de idade nesta segunda-feira, 28. Mais do que homenagear sua memória, a data é uma ocasião para reafirmarmos a lição de perseverança, retidão e fé nos ideais democráticos que ele nos legou. Escaldado por décadas de convivência com a miséria do Semi-árido nordestino, o menestrel das Alagoas sempre pautou seu trabalho pela preocupação com a justiça social e o crescimento econômico. No período mais cinzento da história brasileira, não poupou esforços no combate à prepotência e ao autoritarismo. Poucos, como Teotônio, tiveram a coragem de denunciar aos quatro ventos abusos e arbitrariedades. Para abrir caminho na escuridão, dizia, era preciso derrubar a Lei de Segurança Nacional, garantir as eleições diretas e outras reformas da Constituição. Na luta pela redemocratização, nada o inibia, nada o amedrontava. Quem não se lembra das visitas, verdadeiras romarias, de Teotônio Vilela aos presos políticos? Ou de suas andanças pelo País, pregando um Projeto de Emergência capaz de resgatar nossos quatro grandes desafios ? as dívidas externa e interna, a dívida social e a política? Tive a felicidade de conviver pessoalmente com Teotônio, de viajar com ele pelos sertões e de ver de perto que sua causa era sua vida, sua paixão. A doença que acabou lhe tirando a vida não arrefeceu seu espírito de luta. Pelo contrário. Enfrentou o câncer com a mesma coragem com que defendeu a anistia política, seu maior legado. Uma anistia que lavou a alma de boa parte do Brasil e que abriu as portas para a redemocratização do País. Profundo admirador de Teotônio, procurei concluir sua obra, criando, como ministro da Justiça, em 1998, a primeira Comissão de Anistia, que analisa até hoje a concessão de compensações aos perseguidos pelo regime autoritário. Como senador, tive a honra de relatar, em 2002, o projeto que regulamentou o pagamento dos benefícios às vítimas do arbítrio. Teotônio Vilela não conseguiu ver seu sonho realizado. Ainda estamos longe de alcançar a justiça social e o desenvolvimento que ele tanto almejava. Mas as sementes de sua peregrinação, de sua batalha contra o arbítrio germinaram e deram frutos. (*) É presidente do Senado Federal.

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