Opinião
Sem golpismos - Editorial
Continua agitado o cenário político brasileiro com as denúncias sobre corrupção envolvendo entes públicos e privados. A Nação espera que destas tempestades todas advenha uma bonança cidadã, com esclarecimento completo dos casos e punição exemplar dos culpados. Porém, teimam em aparecer nas cristas das ondas agitadas atualmente pela Operação Navalha sinais suspeitos de manipulação política. Com razão, muitos temem o fim de caso semelhante a tantos outros, ou seja: depois da grande ebulição da fase inicial, advém mornas conclusões e pífias punições. A prioridade para as querelas políticas fica clara na onda levantada contra o presidente do Senado. A não ser que provas consubstanciadas sejam apresentadas acerca do envolvimento do senador em operações ilegais com recursos públicos, o que salta aos olhos é a tentativa de serem resolvidas pendências pessoais e querelas políticas numa porretada só, e com o porrete alheio ? no caso, a hoje afamada navalha. Que as responsabilidades com as coisas públicas sejam apuradas sejam quais forem as autoridades envolvidas. E nesse sentido, mantêm-se vivas as esperanças sobre o sucesso da Operação Navalha. Mas que não sejam agregados a esse esforço ético e policial interesses particulares, objetivos pessoais e rasteiras políticas. O presidente do Senado deve responder a todas as questões que lhe estão sendo postas. As lideranças políticas e as autoridades policiais e judiciais têm o dever de apurar todas as denúncias. E todos têm a obrigação de não permitir que a manipulação de valores éticos seja feita em benefício de brigas pessoais e golpes políticos. A história do Brasil está repleta de manobras golpistas que lograram sucesso, roubando o apoio de boa parte da opinião pública, a partir do uso da tramóia pura e simples ? e essa história tem de mudar.