Opinião
O nordestino tem sede e fome
| Dom Fernando Iório * Os bispos do Regional Nordeste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil ? CNBB, com a participação de bispos de outras áreas da Macro-região Nordeste reunidos em Campina Grande ? Paraíba, chegaram à conclusão de que a proposta essencial dos bispos, emitida, faz 50 anos, de que a pessoa humana devia ser o centro e o elemento propulsor do desenvolvimento, tornou-se a mensagem mestra para a conclusão de que o nordestino de hoje é, também, chamado a ser sujeito de seu desenvolvimento sustentável para construir na região um novo marco civilizatório. Entenderam os bispos que o desenvolvimento sustentável precisa abranger todas as suas cinco dimensões: economicamente eficiente, socialmente justo e solidário, politicamente participativo, operacionalmente integrado e administrativamente descentralizado no processo de sua implementação. Assim, pressionado pela urgência e decidido a implantar na região este processo de desenvolvimento, o Nordeste de hoje tem fome e sede: fome e sede de terra, porque a estrutura agrária da região requer decisiva reforma fundiária acompanhada de um completo programa de reforma agrária a serviço de quantos desejam trabalhar a terra produtivamente; fome e sede de água, em decorrência da intensa irradiação solar que atinge a região na maior parte do ano, donde o apoio do Episcopado Nordestino à revitalização do Rio São Francisco e ao programa de construção de um milhão de cisternas para acumular água de chuva; fome e sede de sementes; fome e sede de alimentos; fome e sede de energia; fome e sede de educação e cultura, com o fortalecimento da educação básica e da formação profissional de adolescentes e jovens, tendo em vista a inserção no mercado de trabalho; fome e sede de saúde, cabendo aos municípios a responsabilidade com a medicina preventiva e a garantia dos primeiros socorros, assegurados pelo SUS; fome e sede do trabalho digno; fome e sede de Deus ? mister se faz encarar, com todo o respeito, o valor da religião do povo, possuidor de profundo substrato religioso que deve ser trabalhado, por missões populares, levando a sério o Projeto Nacional de Evangelização: Queremos ver Jesus ? o Caminho, a Verdade e a Vida. Trata-se de um processo de educação da fé. Bento XVI já afirmou: ?A sociedade justa não pode ser obra da Igreja, deve ser realizada pela política. Mas, cabe à Igreja, e de maneira profunda, empenhar-se pela justiça, trabalhando pela abertura da inteligência e da vontade às exigências do Bem?. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios.