Opinião
Viol�ncia, o que fazer?
| André Weinmann Carneiro * Sitiados pela violência, vivenciando cada vez mais atrocidades descabidas, barbaridades que desafiam a lógica, indagamo-nos: o que fazer? Creio que não há outra força capaz de eliminar a violência de nosso cotidiano que não a do amor ? o amor de Deus em Jesus personificado, mas quanto tempo para a sua plena vivência? Dois mil anos após o Grande Mestre declarar ?bem aventurados os mansos, porque eles possuirão a terra?, ainda advogamos a lei de talião: ?olho por olho, dente por dente? (examinem o resultado do referendo das armas ou a solicitação de endurecimento da legislação para crimes hediondos). Se ainda não podemos a violência eliminar... vamos urgentemente minimizá-la! Então, qual dentre as reformas propostas é a mais eficiente em relação ao grau dos benefícios e ao tempo para a colheita? Não desconsiderando a necessidade de tantas outras, argumento que a mais eficiente, eficaz e necessária, é a reforma no trato da informação. Atenção: temos recursos suficientes que nos habilita conceber um modelo automatizado que inviabilize a ocorrência de qualquer espécie de manobra financeira ilícita e aí eu pergunto: diminuiria consideravelmente a violência se impedíssemos o dinheiro ilegal de circular e adquirir patrimônio? Penso que sim! Quanto tempo? Afirmo que poderíamos vir a implementar esse modelo em menos de uma década. E digo mais, em menos de quatro anos poderíamos vir a conhecer os verdadeiros proprietários dos bens imóveis e principalmente, o patrimônio público poderia recuperar todos aqueles adquiridos com recursos sem a comprovação legal. Mas... voltemos ao sonho da harmonia ampla, geral e irrestrita. Atrevo-me humildemente a Gandhi citar: ?O amor é o meio; a verdade, o fim?. Ensinou Gandhi que a prática do amor é não fazer violência a ninguém, seja ela material (matar ou ferir), verbal (falar mal), mental (pensar mal) ou emocional (odiando secretamente). Da verdade, falou-nos que a única tirania que admitia para si mesmo era a obediência incondicional à voz silenciosa do interior ? a voz da consciência, o que a mim se equivale ao que diz Paulo Leminsk no poema Incenso Fosse Música: ?isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além?. Agora digo eu: a tecnologia da informação não garante a prática da verdade, mas com ela podemos a curto prazo transparecer a prática financeira possibilitando o controle e conseqüentemente o fim de suas mazelas. (*) É analista de sistemas de informação ([email protected]).