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Opinião

Uma obra merit�ria

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| José Medeiros * Atualmente, fala-se, no mundo inteiro, sobre a proteção aos animais. Cada vez mais pessoas adotam como companheiros do dia-a-dia, bichos de estimação tais como: cães, gatos, pássaros, peixes e outros. Esses animais passaram a ter um papel essencial como companhias fiéis de crianças e adultos, por vezes, solitários, ajudando-os a manter a estabilidade emocional, numa sociedade individualista, intranqüila e de crescente violência. Nise da Silveira, famosa psiquiatra alagoana, introduziu cães e gatos como ajuda aos doentes mentais internados no hospital onde trabalhava. Dizia que os animais eram seus ?co-terapeutas?. Os cães de companhia ou de luxo ? afáveis, meigos e solidários ? recebem tratamento especial: de alimentação, consultas veterinárias, higiene e carinho. São o divertimento, prazer e alegria de seus donos. Há os que dormem em suas camas, sem a menor cerimônia, e ainda disputam a melhor posição no travesseiro. Uma outra face da moeda. Em Maceió, é muito grande o número de animais que perambulam pelas ruas, sem dono, sem cuidados, e o pior: reproduzindo-se e aumentando o quadro de sofrimento e de proliferação de doenças. Nesse campo, destaque-se o trabalho relevante do Núcleo de Educação Ambiental Francisco de Assis (Neafa), cujo objetivo é contribuir para a diminuição de animais abandonados, minorando-lhes o sofrimento. O principal idealizador desse trabalho é o médico Ismar Malta Gatto, que disponibilizou a infra-estrutura operacional e o terreno onde funciona o Neafa. O núcleo conta com o apoio e o trabalho de um grupo de voluntários e colaboradores, que contribuem com doações, tempo e habilidades para atenuar o sofrimento de animais de rua. Aliás, o dr. Ismar é um abnegado de boas causas. Foi professor da Faculdade de Medicina da Ufal e Escola de Ciências Médicas (professor emérito), empresário, fundador da Sociedade de Cultura Artística; e presidiu, por vários anos, o Conselho Estadual de Cultura. Encontrei-o na Câmara de Vereadores de Maceió, onde ele e o Neafa foram homenageados. De certa feita, contei-lhe um fato que para mim é comovente. Um casal de minha amizade teve a filha, de dois anos, quase morta quando ela escorregou na parte rasa da piscina de sua casa. O cachorro a salvou: latiu e uivou, desesperadamente, até que a mãe da garota correu e constatou o que estava acontecendo; retirando a criança da piscina a tempo de fazer respiração artificial e salvá-la. (*) É médico e ex-secretário de Saúde e de Educação.

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