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Opinião

Por Alagoas

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| Cláudio Vieira * Qualquer pessoa, autoridade ou não, citada em investigação, ou em inquérito policial, ou em processo penal, deve ser ouvida em termos sem que com isso se lhe possa atribuir a pecha de investigado, indiciado ou acusado. Tal entendimento é básico e não é esperado apenas dos profissionais do Direito, mas de todo cidadão, mormente daqueles suficientemente esclarecidos. Alagoas viveu ? vive ainda - momentos de estupefação quando várias autoridades públicas do governo estadual foram presas e indiciadas pelo suposto cometimento de delitos. Incontinente, o governador adotou medidas que se esperava dele, enquanto mandatário-mor: afastou os indiciados e, tão ou mais importante quanto, determinou a instauração de auditoria ampla nos contratos do Estado com a construtora envolvida em falcatruas. As medidas tomadas, de cuja efetividade participarão entidades isentas, demonstram destemor, respeito aos alagoanos e, em princípio, nada dever diante dos fatos investigados. Citado nominalmente em gravações feitas pela PF, mesmo que sem comprometimento claro ou obscuro, o governador passou a ser alvo de especulações, algumas veementes. Sendo determinada a sua oitiva pelo STJ, cassandras do apocalipse já apregoam a sua culpa e conseqüente afastamento do governo, esquecidas de que, como pessoa referida em processo, certamente seria convocado a depor, ao menos na qualidade de testemunha ou equivalente. São esses os fatos, sem quaisquer douramentos. Vivendo Alagoas momentos tão delicados, espera-se dos alagoanos que estejam atentos ao desenrolar dos fatos, mas, com os cuidados devidos, considerando que, ao fim, o Estado é que sofrerá, e com ele, todos nós. Os áugures do pior, os adeptos da catástrofe ao aproveitarem o momento em favor dos seus interesses pessoais, esses só desservem, ajudando os infamantes de nossa gente. É preciso que notemos e anotemos o quanto de discriminação somos vítimas. Exemplo patente e mais recente é o que a mídia de outros Estados faz quando cita determinada diretora da Gautama: ?a alagoana...?. Não diz de outros, por exemplo, o paulista, o carioca, o brasiliense, etc. Então, por que o gentílico antes do nome da diretora da empreiteira? Acaso delinqüiu ? se é que o fez ? por ser alagoana? Claro que não! Exijamos que as falcatruas sejam apuradas, reveladas e punidas. Todavia, não passemos a ver sombras onde elas não existem e não criemos factóides inconseqüentes ou aplaudamos aqueles que nos difamam. (*) É advogado militante (www.claudiovieira.com.br).

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