Opinião
Expectativas da Confer�ncia de Aparecida
| DOM ANTONIO MUNIZ * Continuo pondo para a reflexão de todos, o pensamento de nossa Conferência Episcopal (CNBB), no sentido de dar uma unidade nos temas tratados desde a Conferência de Medellin até Aparecida: ?Procurando ter uma visão de conjunto do que foram as conferências anteriores, alguns pontos, ou um composto deles, saltam aos olhos, demonstrando haver uma continuidade nessas conferências, exatamente daqueles temas que influíram decisivamente na vida das Igrejas do Continente latino-americano. A colegialidade eclesial como algo muito concreto, mais do que desejo, de uma Igreja de comunhão e participação. Colegialidade que não está simplesmente no fato de se realizar a conferência, mas ao assumir colegialmente a responsabilidade da vida da Igreja latino-americana. Está em jogo o seguimento de Jesus Cristo, a vida de fé da comunidade que crê no Cristo e, por isso, quer sentir-se fraterna e agir com fraternidade. O segundo é o diálogo com o mundo, proposta da Gaudium et Spes. O olhar para a realidade foi essencial na realização das conferências anteriores, pois deu à Igreja latino-americana o conhecimento da situação vital das pessoas a evangelizar, e lhe permitiu assumir o compromisso de agir para a libertação dos pobres, em busca de uma sociedade mais igualitária. Opção preferencial pelos pobres e engajamento político são, assim, duas marcas da tradição eclesial latino-americana. Como sinal positivo, elas se anunciam presentes no tema da 5ª Conferência: ?Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que nele nossos povos tenham vida. Eu sou o Caminho, a verdade e a vida? (Jo 14,6). Estejamos, portanto, em sintonia e comunhão com a 5ª Conferência ? Conferência de Aparecida ? na esperança de que o espírito de Deus, com seu sopro renovador, presida e conduza essa 5ª Conferência, e que a partir daí se reanime e se revitalize a vida eclesial da América Latina e do Caribe, lançando bases para as Santas Missões Populares Continentais. Medellín (1968). Procurando ver a ?Igreja na atual transformação da América Latina à luz do Concílio?, a Conferência de Medellín dá o pontapé inicial para uma transformação na vida da Igreja. Puebla (1979). Querendo pensar a evangelização, essa terceira conferência aprofunda a leitura da realidade do continente. Puebla reconhece que o caminho da evangelização passa pela promoção da dignidade humana e, portanto, o engajamento pela libertação dos pobres é um dos compromissos? (cfr. Boletim Notícias da CNBB -2008). (*) É arcebispo Metropolitano de Maceió.