Opinião
Dia do corpo e sangue de Cristo
| Dom Fernando Iório * Dia do grande mistério da fé: presença da substância do Cristo ressuscitado nos acidentes de pão e de vinho. A prosa referencial não tem a força, nem a beleza na revelação do mistério. Somente a poesia é capaz de revelar todo o mistério teológico da Eucaristia. Por isso mesmo, o teólogo não deixa de ser poeta. Haja vista o gênio da Teologia, Tomás de Aquino, revelar toda a profundidade teológica da Eucaristia nos versos do ?Pange Língua?. Tentaremos, em forma de poema, revelar (se é possível) o mistério da presença eucarística: ?Corpo ressuscitado de Cristo substancialmente presente nas aparências do trigo, na aparência da coisa. Ali está o trigo que a mãe-terra gerou, Ali está o pão que o operário amassou. O sentido vê o pão que não é pão, crê no corpo que não sente, nem apalpa tudo é trigo amassado, circulado, e não é trigo. Os acidentes são de trigo triturado, São de massa, são de pão: não é massa, Não é trigo, não é pão a substância, Mas, o corpo de Jesus, a carne do Senhor, Não divisa, não partida, mas completa... Tomai e comei ? isto é o meu corpo Por ?força das palavras? ? é o corpo do Senhor. Palavras proferidas, em um banquete, No ágape inefável do Amor. E eu tenho o corpo do Senhor e, por concomitância, O sangue do meu Deus, a alma e a divindade. É o alimento que me sustenta: Corpo e sangue do Senhor ressuscitado, Dentro de mim, a preparar-me para a ressurreição gloriosa. Canta, ó língua, esse tão grande sacramento, Fruto de quem nos amou até a última gota de sangue?. Na solenidade do corpo e do sangue de Cristo, dia de tamanha doação, somente podemos exclamar, na harpa do nosso coração: ? Deus é amor. (*) É bispo émerito de Palmeira dos Índios.