loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 29/07/2026 | Ano | Nº 6277
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

As pedras de Jaragu�

Ouvir
Compartilhar

| Benedito Ramos * Como porto Jaraguá nasceu por vocação, justamente pelo avanço do terreno pedregoso sobre o mar. Por muito tempo as diversas pontes de embarques ocuparam a enseada refém das catraias que levavam ou traziam carga e gente. Sobreviveu entre o trabalho do dia nos trapiches e os prazeres da noite em seus sobrados, até cair no abandono. Revitalizada virou centro histórico na euforia do retorno aos tempos boêmios. Mas a dama da noite tinha largado a esbórnia. O turismo cultural veio no início, mas logo depois surgiu a primeira pedra no caminho: a Cícero Toledo se tornou mão única. O estacionamento enorme já não servia aos ônibus. Era difícil contornar pela Barão de Jaraguá e a falta de segurança cerrou os bares e restaurantes. Maceió virou dormitório para quem deseja ver mar e lagoa. A história da Sá e Albuquerque é um drama. Da proibição da entrada de carros pesados chegou a ser calçadão até a prefeitura cansar de tanta reclamação. Ficou por conta do bode. Sobretudo à noite quando caminhões pesados passam direto sem nenhum escrúpulo. O calçamento é um desastre de tantas ondulações. Quando chove a água vai ao meio fio e quem se atreve a seguir pela calçada, fatalmente toma um banho patrocinado por um motorista ?educado?. Mas seu paralelepípedo tosco comprado de alguma pedreira local é defendido por alguns como se fosse uma cantaria secular. Manter prédios antigos de pé não é uma tarefa fácil. Preservar é uma ação diária, quase fisiológica. O Palácio do Comércio, por exemplo, não há uma semana sequer, que alguma parede interna não esteja sendo repintada, um móvel sendo consertado nos seus 3.589 metros quadrados. Mas ninguém consegue impedir a ação do tempo, da maresia, dos pombos, nem principalmente, a trepidação do calçamento da Sá e Albuquerque. O turismo em Jaraguá passa por uma ação conjunta da prefeitura, Estado e iniciativa privada. Este último dando uma chance ao visitante, de entrar de ônibus no bairro pela via dupla da Cícero Toledo, sem reclamar de lugar para estacionamento. Por último deixar que o prefeito cubra este calçamento ordinário da Sá e Albuquerque, com asfalto, alongando a vida do casario antigo. E, finalmente, transformar a favela de Jaraguá numa vila de pescadores com casinhas coloridas, crianças brincando, roupas no varal, artesanato, comida típica, como tantas outras áreas que na Europa são atrações turísticas. (*) É escritor e artista plástico ([email protected])

Relacionadas