loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 23/07/2026 | Ano | Nº 6273
Maceió, AL
25° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Bombaim refletida

Ouvir
Compartilhar

| ÁLVARO MENEZES * No dia 1° de abril, o Fantástico, no quadro Planeta Água, apresentou a situação dos moradores de Bombaim, na Índia. Muita miséria, sujeira e poluição. Favelões com crianças doentes, jovens desocupados e adultos desesperançados. Um triste e cruel quadro, agravado quando se observa que no Brasil existem muitas regiões como aquela. O programa viu semelhanças na Ilha de Deus, outra pobre favela localizada no Recife. Sem dificuldade, encontrariam outras tantas favelas em piores condições, com certeza, no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Salvador, em Maceió, em Fortaleza, enfim, nas grandes cidades do Brasil haverá sempre uma Bombaim refletida. Este não é o fato mais importante a se destacar da excelente matéria que seqüenciou outra, a que mostrava o roubo de água na cidade do Rio de Janeiro. Em ambas, ficou evidente que a água, um bem absolutamente necessário a todos, é roubada por quem pode pagar e usado irregularmente por quem não pode pagar e mais necessita dele para ter níveis básicos de saúde e dignidade humana. A matéria sobre Bombaim mostra um cidadão menos pobre, vendendo água para os mais pobres. Miséria explorando miséria. Infelizmente, por aqui isso também não é novidade, sendo usual encontrar em morros, favelas, periferias e zonas de pobreza, os famosos ?donos? de poços ou reservatórios que vendem algumas horas de água por dia usando tubulações que eles mesmos implantam. O pior é que essa exploração funciona com regras duras e a preços maiores que os cobrados pelas companhias de saneamento. Há outra exploração de miséria e ocorre com mais freqüência nas pobres regiões nordestinas onde habitam os membros das tribos dos ?sabe quem sou eu?? e ?sabe com quem está falando??, maus cidadãos que se classificam como fazendeiros, como políticos da ativa ou não, os ?amigos? de autoridades, os membros do MST e os índios, que desviam e usam sem pagar a água que faz falta a milhares de pessoas. A realidade constada, em Bombaim ou no Brasil, nada mais é que um retrato da pobreza. Não somente aquela decorrente das condições econômicas e financeiras e, sim, também, da pobreza na administração das cidades, na aplicação inadequada do dinheiro público e na usual má gestão dos serviços de saneamento, ainda distante do profissionalismo exigido na condução de uma atividade essencial à vida. (*) É diretor comercial da Casal.

Relacionadas