Opinião
Sem direito de matar - Editorial
Um crime não justifica outro, está claro e cristalino desde os tempos remotos. No entanto, aquilo que é claro como água às vezes escurece, fica embotado, é substituído por atos de violência e até de barbárie. E foi isso o que ocorreu em Maceió na noite da última quinta-feira quando mais um taxista foi assassinado. O crime revoltou os companheiros do taxista Valmir Pereira ? naturalmente. Sua família pede justiça, se revolta com a onda de violência que assusta as famílias alagoanas ? com toda a razão. O que não pode é tentar a tal da justiça com as próprias mãos. Foi o que fez um grupo de motoristas na noite do assassinato. Trabalhadores que passavam pelo bairro da Gruta em um caminhão foram abordados pelos taxistas e por muito pouco não se registrou uma tragédia. Confundido com um suspeito do crime ? sabe-se lá como ? um homem foi violentamente espancado por um grupo de pelo menos 15 agressores. Foi salvo pela ação corajosa de uma mulher que estavca com ele. Depois da sessão de espancamento, os revoltados taxistas descobriram que pegaram o ?homem errado?. As cenas de truculência foram captadas por câmeras de TV e chegaram a correr o Brasil. No dia seguinte, sexta-feira, a categoria fez um protesto gigante em vários pontos da capital alagoana. Tudo certo, direito de se manifestar garantido a todos, mas toda a manifestação deve respeitar o direito dos outros, o direito de ir e vir. Pois bem, nos protestos da sexta-feira, passageiros que estavam em táxis que passavam pelos pontos de bloqueio eram literalmente arrancados dos carros. Houve bate-boca entre os próprios taxistas ? sinal de que as coisas não estavam com a melhor condução. A morte de um trabalhador revolta, merece repúdio, críticas pela insegurança, etc, mas não dá a ninguém o direito de matar.