Opinião
Corpus Christi e uma cidade de paz
| Dom Antônio, O. CARM. * Celebramos a Festa de Corpus Christi no último dia 7 de junho, colocando no centro de todos os nossos interesses o amor. Jesus é o Filho do Amor de todo Amor: Deus Charitas est é o grande grito profético do Papa Bento XVI, no raiar do seu Pontificado e ainda nos umbrais deste novo milênio! Amar, portanto é resposta mais autêntica que podemos dar ao mundo neste momento particular de nossa história. Não um amor alienado, mas encarnado. O amor se fez gente e nos convoca a encarná-lo em atitudes concretas como cristãos adultos, livres e responsáveis, conscientes do que somos; de onde estamos; o que devemos fazer e aonde queremos chegar, a fim de que nossa Igreja Particular de Maceió, em suas diversas formas de presença e ação, irradie a face da ternura de Deus em cada coração sedento de amor, de vida e de vida em plenitude. A eucaristia, que nos faz Igreja, nos leva a todos e todas, reviver a centralidade da Fé em Cristo Jesus Nosso Senhor: ?Vinde e vede, Ele está no meio de nós!? Plantamos no hoje de nossa história, a paixão, morte e ressurreição de Jesus. A fração do Pão Eucarístico e a participação no banquete do Cordeiro, provocam em nós sentimentos de partilha do ?pão nosso de cada dia?, de solidariedade com os excluídos desta terra, de participantes na construção de um mundo de paz e de uma sociedade justa e fraterna. É também com a força deste pão que saímos em missão como discípulos e missionários de Jesus, para que nele os nossos povos tenham vida. É desta mesa de peregrinos e peregrinas que saímos para anunciar ao mundo, ?Ele está no meio de nós!...? ? ?Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo pão e pelo vinho [...] Dai-lhes vós mesmos de comer!? A presença de Cristo ressuscitado na primitiva Igreja era a presença do Príncipe da paz: ?Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz. Não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima a vossa Igreja; dai-lhe, segundo o vosso desejo, a paz e a unidade?! O Nordeste (e o mundo) gritam por paz. Precisamos urgentemente da civilização do amor! A natureza grita de dor por causa de sua sistemática destruição. Nossa cidade e nossos campos gritam de dor pela violência em todos os sentidos; falta terra, falta água limpa, falta saúde e educação, uma interminável lista de falta. É neste quadro bem concreto da vida de nosso povo que nossa Igreja Santa e Católica conclama: vamos construir um mundo de paz e, no meio deste, uma cidade de paz: sim, Maceió cidade de paz! (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.