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Opinião

Assaltol�ndia

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| André Falcão de Melo * Aqui não tem igual. Nem no Rio de Janeiro ? com a guerra, sem trégua, do tráfico de drogas ? o cidadão deve sentir-se tão desprotegido pelo aparato criado pelo homem a sua defesa, encarnado na estrutura do Estado, que se designa segurança pública. Não endoidei! É que lá ? esta, pois, a minha tese ?, embora naturalmente maior o número de marginais, também o é ? mas em muito maior proporção ? o de vítimas potenciais (os cidadãos, empresas, etc.), de sorte que, por uma questão de probabilidade (pasme!), parece que, lá, a ilusão do ?isto não vai acontecer comigo? consegue se fazer mais presente. Não significa nada, claro, mas conforta. Ao menos até a quebra da ilusão. Registre-se, mais uma vez, que este sensacional silogismo não se funda em qualquer dado científico, estatístico, nada. É só uma percepção particular do fenômeno. Em verdade, portanto, aqui, nos soa pior porque nem a ilusão nos restou, para nos agarrar (e nos enganar). Você sabe ? sabe! ? que poderá ser a próxima vítima. Ninguém está a salvo. Sim, o pobre, pobrezinho mesmo, também não está. Nem ele pode mais se vangloriar da única ?vantagem? que ostentava frente ao rico ou remediado, ditada pelo seu próprio infortúnio. É muita doideira, leitor. Vou dar-lhes um exemplo: não há (deve haver não) quem não conheça alguém que não tenha sofrido ao menos um assalto. Eu conheço várias vítimas. Tenho um amigo, o pobre do Ranulfo (desse jeito, aliás, corre risco, mesmo, de ficar pobre), cuja padaria foi assaltada dezessete vezes. Eu falei (ops!, escrevi) 17! O cabra tem câmara, serviço de segurança particular, o escambau! Nunca pegaram um assaltante, sequer. E, se sim, foi solto. Hoje, até, com medo de sofrer violência física em face de uma provável irresignação do ladrão, que possa frustrar-se à míngua de dinheiro no estabelecimento, já guarda alguma coisa para não decepcioná-lo. Mas... ? deve dizer-lhe alguém ?, um consolo(?): você não está só. Afinal, outros estabelecimentos, até então a salvo da ação dos meliantes, já não o estão. São clínicas, estacionamentos de supermercados, centros comerciais (inclusive aqueles que no Brasil chamam, inapropriadamente, Shopping Center), bares e restaurantes, motéis, hotéis, e por aí vai. É, amigo, a marginalidade da arma de fogo chegou, de vez, às classes média e alta... E tá uma chiadeira só! Todavia, de qualquer sorte, pelo menos soube que uma alta autoridade do Estado houvera dito que tudo está sob controle. Ah, bom! (*) É advogado ([email protected]).

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