Opinião
Um salto para o qualitativo
| Eliana Cavalcanti * Durante quatro fins de semana de maio e atingindo o início de junho, foi realizado, em Maceió, um curso de capacitação para o ensino do ballet. Promovido pelo fórum da Dança de Alagoas, marcou um ponto altamente positivo para a história do ballet em nosso Estado. Para que tal façanha acontecesse, inclusive com seu ineditismo, contamos com as imprescindíveis parcerias do APL Cultura do Sebrae, da Secretaria de Cultura do Estado e da Universidade Federal de Alagoas. Com relação ao Fórum da Dança posso dizer da felicidade que tive em participar, juntamente com os professores Antonio Lopes, Telma César e Isabelle Rocha, da organização do curso. A receptividade por parte do nosso público-alvo foi além de nossas expectativas. Entre os participantes tivemos não somente professores como estudantes de ballet com pretensões ao ensino. Educados, atentos e com muita disciplina, pareciam ávidos pelos conhecimentos recebidos. Mesmo num período tão curto, acreditamos que se constituiu num rico aprendizado, além de estímulo para que continuem se reciclando. Ficou bem clara a necessidade de estudo aprofundado dessa arte dificílima bem como a responsabilidade que um professor deve ter ao trabalhar com o físico do outro, principalmente de crianças com sua musculatura ainda tenra, em formação. Foi muito esmiuçado e comentado o momento adequado e a maneira certa de aplicar determinados exercícios ou passos. Isabelle, Telma e eu nos dividimos entre aulas de história do ballet, anatomia aplicada ao ballet, metodologia, técnica clássica e suas seqüências lógicas de sala de aula. Para encerrar o curso contamos com a presença do professor Flávio Sampaio, que nos brindou com sua sabedoria aliada a uma simplicidade franciscana. Só esclarecendo, Flávio é ex-solista do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, ex-professor de dança da Universidade da Cidade (Rio de Janeiro) e ex-professor do Ballet Bolshoi do Brasil (Joinville). Hoje, aposentado, dirige a Escola e a Companhia de Dança de Paracuru, sua cidade natal, que dista uma hora de Fortaleza. Sob sua responsabilidade estão 205 jovens de baixa renda, sendo a maioria rapazes, o que sem dúvida, estabelece uma exceção dentro de um universo cultural bastante preconceituoso. A importância desse momento... somente o tempo dirá. Estamos fazendo nossa parte e que os anjos digam amém. (*) É bailarina