loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Dos mist�rios do tempo e do amor

Ouvir
Compartilhar

| Anilda Leão* Estamos aqui, como que permanentemente exilados no tempo e no espaço. E tão completamente exilados que é como se houvesse muito mais de nós mesmos aqui no mundo onde habitamos agora, do que já houve nas esferas misteriosas que deixamos ao nascer para esta vida presente. O que nem sempre é verdade. É que lá, as fisionomias, os rostos amigos e amados se diluíram ou se deformaram, como se sobre uma tela fossem jogados borrões de tinta. E, de tão apartados, de tão esquecidos, já nem mais podemos distinguir quem fomos outrora. Os insólitos e indecifráveis sentimentos que nos ligaram por algum tempo aos outros planos da existência, vamos tentando também diluí-los na medida do possível, nesse nosso novo e atual viver. E também na medida do impossível, pois de impossibilidades tais é que vamos refazendo os nossos caminhos. Destinos marcantes. Vidas marcadas que fomos largando em andanças antigas. Quem explicará o que fui, o que fomos? Que decisivo entrelaçamento já existiu entre nós - que hoje palmilhamos esta terra -, em tempos perdidos já na poeira dos séculos? Em que galáxias já existimos e em qual estrela ou rastro de errante cometa já escondemos o nosso amor? O tempo está sendo vivido aqui e agora, no espaço que ocupamos nesse planeta tão horrivelmente imperfeito. O que apenas serve para nos mostrar o quanto estamos atrasados na imponente e difícil escalada espiritual que nos comprometemos a galgar e transpor. Sofrendo, chorando, angustiando-nos e contemplando estarrecidos aqueles nossos semelhantes bem menos aquinhoados do que nós e lhes mostrando que, afinal de contas, ainda sabemos e podemos dizer coisas bonitas, rir, cantar e fazer algo de bom e positivo. E que ainda sabemos amar. E por falar em amar, é esse amar que tantas vezes nos chega com feitio de impossibilidade - como se já não bastassem as provações ou sacrifícios que herdamos de outras eras, aqui mesmo vamos acumulando as nossas parcelas de desenganos. Sim, estamos exilados no tempo e no espaço, para o bem ou para o mal. Para sorrir ou para chorar. Para as esperanças e os desencantos. Para os avanços e para os atrasos. E, sobretudo, para o AMOR. E do jeito que pudermos, pois foi por isso exatamente que para aqui viemos. Ou voltamos. E é para isso que sempre retornaremos. Para uma nova vida. Para uma nova oportunidade. Para um novo aprendizado. (*) É escritora

Relacionadas