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Opinião

Sociedade amedrontada

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| Marcos Carnaúba * Outrora quando não havia avenidas, mas simples caminhos de terra onde trafegavam automóveis e bondes, as áreas plenas de vegetação e valetas escoadouros de águas de chuvas tinham a limpeza promovida por dezenas de presidiários fiscalizados por um soldado da Polícia Militar, por todos respeitada, e a sociedade não se intimidava com as presenças dos apenados nas cercanias de suas casas. Havia, então, ordem e segurança que se diluíram ao longo do tempo. Exceto as vinditas em defesa da honra, as disputas de terras e brutais crimes políticos a sociedade vivia sem sobressaltos desfrutando as praias, festas de rua, cinemas e jogando ao vento as conversas em praças e calçadas onde tantos se agrupavam sem temer assaltos, furtos e latrocínios. Os raros latrocínios eram cometidos por marginais que aqui aportavam de outras plagas, quase sempre elucidados e os responsáveis punidos com a misteriosa ?viagem? sem retorno sob o calar da sociedade. Vivíamos em paz! Ao longo do tempo, Alagoas cresceu desordenadamente fatiada em 102 municípios, apenas para gerar mais currais políticos, e estagnou no desenvolvimento agroindustrial transmudando barões da cana-de-açúcar em quase plebeus se comparados com os novos ricos de fortunas surgidas do nada. Um nada que se conhece a origem e se cala para continuar vivo, quase sempre envolvendo a corrupção cujas vísceras são mostradas nos meios de comunicação. A imunidade parlamentar e as comissões de direitos humanos, criadas para permitir a políticos se expressarem sem cerceamento da ditadura militar, ou impedir que fossem ultrajados, transformaram-se em direitos de impunidade de bandidos amparando qualquer transgressão por mais imoral e brutal que o seja. A marginalidade se dissemina em todas as classes sociais sendo banal enganar, roubar, assaltar, trucidar porque os padrinhos e advogados logo cuidam de devolver às ruas os marginais que nos intimidam e cujos atos ignóbeis estarrecem a sociedade. Mas, de qual sociedade estamos falando? Daquela que também se locupleta sob o manto de atos espúrios seus e de padrinhos? Não! Da outra, residual, amedrontada, a qual pertenço e que tem, pelo menos, o direito de se indignar e de pugnar por uma justiça justa e resgatar os princípios básicos da moralidade. A criminalidade assola todo o País sob a lei de fisiologistas cercados de seguranças dia e noite que cassaram as armas de defesa pessoal do cidadão e fomentaram a ousadia do ladrão! Quero as minhas de volta. (*) É engenheiro civil e consultor.

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