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Dez anos de aus�ncia de Freire, mas nunca sem Freire

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| Tania de Melo Moura* No dia 2 de maio próximo passado completou 10 anos do falecimento de Paulo Freire. Lembro-me como se fosse hoje. Eu estava em casa, em um retiro forçado a escrever a tese de doutoramento em que ele era um dos principais referenciais e um dos sujeitos da investigação. Uma colega paulistana telefonou me informando de seu falecimento. Choramos juntas a sua partida definitiva. Primeiro porque sabíamos que ele não queria partir, não queria deixar o mundo que os homens criaram, como dizia ele. Mas choramos, principalmente, porque sabíamos que ele ainda teria muito a contribuir e que sua partida definitiva seria uma perda irreparável para o Brasil e para o mundo. Aos poucos fomos concluindo que ficavam as saudades, mas a perda era suavizada através do legado que deixou ao mundo, impossível de relacionar porque são mais de quatro décadas de produção teórico-prática dele e sobre ele espalhadas pelo mundo inteiro. O pensamento, a produção teórica e a prática pedagógica de Freire têm um caminhar bastante dialético, acompanham sua história de vida, marcada pela convivência com as contradições e com a luta pela sobrevivência, mas sobretudo pela ?amorosidade? e pela ?paixão de aprender o mundo? e ?transformá-lo?. Sua leitura de mundo, de início ingênua (como ele dizia), nascida da revolta pelas suas próprias necessidades materiais e pela miséria observada no cotidiano da população com que convivia nas favelas das cidades e na zona rural do Nordeste, vai crescendo e conduzindo-o a buscar explicações teóricas para o fenômeno das desigualdades e sua conseqüente solução. A necessidade de explicações o conduz a diversas leituras de base marxista. Sua visão cristã e ingênua se transforma em reflexão consciente, aguçando o desejo de inserção em práticas que ajudem a transformar a consciência dos educadores, dos trabalhadores e dos oprimidos da sociedade. Em sua trajetória como educador procurou ser coerente em relação as suas concepções de homem, mundo e sociedade. Em seus escritos deixou claro que cada vez mais a educação das classes populares é uma necessidade, cada vez mais ela deve se fazer política e cada vez mais os homens e as mulheres devem se reconhecer como sujeitos de cultura e responsáveis pela transformação dessa sociedade injusta e excludente. Paulo Freire partiu, mas continua presente entre nós em todas as áreas e campos do conhecimento. Sua voz continua ecoando e se faz ouvir no Brasil e no mundo. (*) É professora emérita da Ufal.

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