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Opinião

Um certo doutor Rui

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| Ronald Mendonça * Sexo e corrupção, embora ingredientes universais do poder, são fontes inesgotáveis de especulações e intrigas. Claro que não são apanágios apenas dos poderosos, posto que suas pegadas são indeléveis em todo e qualquer aglomerado humano. O Gênesis insiste na desobediência do primeiro casal a partir dessas duas vertentes. Com efeito, nas investidas da serpente a ingênua Eva foi instada a experimentar do fruto proibido, com acenos de posse da sabedoria e do prazer. A humanidade não aprenderia com as transgressões do Éden. A busca incessante por novas emoções atravessaria os milênios. Das inóspitas cavernas aos modernos apart-hotéis os gemidos e sussurros do trinômio poder-sexo-corrupção invadiram ruas e becos. Tendo como pano de fundo esposa e amante, a França Eterna, recentemente, deu uma demonstração de tolerância justo no momento em que o estadista Mitterrand era sepultado. Nessa quadra nós damos de goleada. Considerado o maior homem público deste país, a biografia de Juscelino Kubitschek é recheada de relatos envolvendo paixões, ciúmes e reconciliações. Infelizmente, o saudoso JK não conseguiu o distanciamento suficiente que o eximisse de suspeita de ligações com empreiteiras. Ignora-se, no entanto, se construtoras bancavam mesadas a improváveis filiações extraconjugais. O ar episcopal de Tancredo Neves não foi o bastante para excluí-lo do rol dos demolidores de corações. De fato, os comentários que circularam à época de sua tumular doença sugeriam que o velho Tancredo fazia algo mais do que respirar política 24 horas por dia. Governador de São Paulo, Ademar de Barros imortalizou-se como tocador de obras ao mesmo tempo em que seu patrimônio reconhecia crescimento exponencial. Nesse aspecto, o slogan ?Rouba, mas faz? encaixava-se nele como uma luva. Sua escola difundiu-se País afora; sem desmerecer o esforço dos demais, Maluf é o aluno mais criativo. Apesar de destituído de padrão de beleza apolínea (detalhe desprezível num sujeito rico e poderoso), era assediado. Conta o folclore que durante uma reunião recebeu um telefonema. Ademar fez silenciar os auxiliares enquanto, monossilábico, tentava ocultar a verdadeira identidade do interlocutor, apelando para o protocolar ?doutor Rui?. Ao despedir-se, o gabinete explodiu em risos ao ouvir o governador replicar ao misterioso Rui: ?Outros... nessa bundinha deliciosa?. (*) É médico e professor da Ufal

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