Opinião
Dom especial da santidade
| Dom Antonio Muniz * ?Eu te exorto a reavivar o dom de Deus que há em ti, pela imposição das minhas mãos. Pois Deus não nos deu um espírito de medo, mas um espírito de força, de amor e de sobriedade? (1 Tim. 1, 6-7). A Igreja chama este dom especial de caracter indelebilis, realidade que se fundamenta na promessa inquebrantável e na vontade definitiva de Cristo de seguir realizando sua obra salvadora, mediante o serviço do ministro consagrado: tudo graça e tudo por meio de uma vocação e uma iniciativa do próprio Deus. ?Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu quem vos escolhi e vos designei para irdes e produzirdes fruto? (Jo 15, 16). E o momento desta escolha e eleição também está do desígnio insondável do Altíssimo. ?Quando, porém, aquele que me separou desde o ventre de minha mãe e me chamou por sua graça, se dignou revelar-me o seu Filho, para que eu o pregasse entre os pagãos...? (Gal. 1, 15-16 a). Devemos, pois, ter esta consciência de que nossa capacitação para o serviço ministerial vem de Deus e de sua vontade, por meio de um dom especial, e nunca de uma vontade própria nossa e jamais um direito ou mesmo uma vaidade do ser humano. O apóstolo Paulo, dentro do ardor de expressar tal ministério do amor de Deus e da vocação, dirigindo-se à comunidade de Corinto, assim expressava o seu sentimento: ?Sois uma carta de Cristo, entregue ao nosso ministério, escrita não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas de carne, nos corações. Tal certeza nós temos, graças a Cristo diante de Deus. Não como se fôssemos dotados de capacidade que pudéssemos atribuir a nós mesmos, mas é de Deus que vem a vossa capacidade. Foi Ele quem nos tornou aptos para sermos ministros de uma Aliança nova? (2 Cor. 3, 4-6). Conscientes que somos de nossa fragilidade e condição marcada pelo pecado, devemos confiar irrestritamente que a nossa missão e ação têm sua fonte e razão de ser na promessa de Jesus Cristo, de estar sempre ao lado de sua Igreja, na atuação daqueles que são revestidos de tal ministério sagrado. Este dom precioso é acolhido na humildade e como um serviço no sacerdócio ministerial do próprio Cristo. É força santificadora agindo em nós e naqueles e aquelas a quem servimos, através dos raios de nosso serviço ministerial na comunidade santa e santificadora da Igreja de Cristo! (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.