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Universalizar para salvar

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| Álvaro José Menezes * No Brasil, política é assunto de muitos e, no entanto, a prioridade é privilegiar políticos; a saúde pública é caótica em todo lugar e a prioridade é a aquisição de ambulâncias e a construção de hospitais; a educação fundamental e média não têm como prioridade a consolidação de um bom sistema de educação pública e gratuita; a prioridade, quando se fala em segurança, é construir presídios. Priorizar não é um verbo bem utilizado por governos, governantes, políticos e pela sociedade. Dentre as estranhices com as quais convivemos está a utilização de telefones fixos ou celulares, próxima da universalização no caso dos fixos e já na casa dos 106 milhões de aparelhos, no caso dos celulares. É um grande avanço se olharmos como era o Brasil das ?teles? públicas há dez anos. Infelizmente, tal progresso apenas mostra como governo e sociedade podem conjugar o verbo priorizar, pois para as áreas acima citadas e outras diretamente relacionadas com o desenvolvimento socioeconômico e bem-estar da sociedade, não há real priorização.Tudo é circunstancial e sem visão de longo prazo. Na área de saneamento, o Brasil está longe da universalização e, o que é pior, apresentando indicadores do século passado quando se trata de doenças de veiculação hídrica e cobertura dos serviços de água e esgotamento sanitário, notadamente no Norte e Nordeste. É claro que uma das saídas é investir nesses setores, porém, a prioridade deve ser aplicar racionalmente os recursos disponíveis, com o objetivo de universalizar os serviços de forma que o equilíbrio socioeconômico e ecológico possa acontecer. Para salvar o setor de saneamento não basta apenas um PAC mais abstrato que real. É essencial que, juntamente com os investimentos, a gestão pública desses serviços ?se ligue? no que aconteceu e acontece no mundo das telecomunicações. Além de investimentos, a mudança radical na forma de administrar as empresas do setor levou à quase universalização em dez anos com clientes pagando sem reclamar contas altas para o padrão salarial brasileiro, enquanto no setor de saneamento, pagar as contas mensais não é uma prioridade tão firme. Por que será? (*) É diretor comercial da Casal.

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