Opinião
Retorno esperado
| Cláudio Vieira * O desembargador José Fernando Lima Souza, Fernando Tourinho, conheço-o há mais de trinta anos. Dele fui aluno na Faculdade de Direito e, após, colega na Prefeitura de Maceió, quando ainda recém-formado assumi o cargo de procurador-geral do município. Naquela oportunidade, calouro e inexperiente, certamente intimidou-me a responsabilidade considerando os nomes que, teoricamente, estariam sob a minha chefia: Amaro Granjeiro, Waldemar Bernardes, João Norberto, o próprio Tourinho e tantos outros ilustres colegas advogados. Malgrado ter sido aquela minha designação política, de todos recebi tratamento igual e solidário, orientador e construtivamente crítico. Jamais deles fui chefe efetivo, mas o colega calouro aprendendo no dia-a-dia. Em outra ocasião, voltei a assumir a mesma Procuradoria Geral e, mais uma vez, o professor Fernando Tourinho brindou-me com seu apoio e orientação de mestre e experiente advogado. Reencontrei-o no Tribunal de Justiça de Alagoas, desembargador nomeado para a vaga do quinto constitucional destinada aos advogados. Perdera a advocacia? Ganhara a magistratura? Acredito terem ganho as duas, distintas e indissolúveis que são. Uma, argumenta na defesa da tese esposada; a outra, fundamenta e decide. Emprestando as palavras de Miguel Reale, essa díade incindível realiza o Direito e a Justiça. De uma espera-se valentia e destemor na defesa; da outra, a isenção, naturezas constatadas por Calamandrei, para quem são inaceitáveis advogado sem paixão e juiz que não seja imparcial. Durante quase duas décadas o desembargador Fernando Tourinho, juntamente com seus pares, prestou a jurisdição, distribuiu a Justiça, para satisfação de uns e inconformismo de outros, mas sempre sob o aplauso pela fundamentação jurídica com que suporta os seus votos. Despede-se, agora, o desembargador, cumprida a sua missão. Mais uma vez enriquecem-se advocacia e magistratura, desta feita com o retorno do advogado criminalista e processualista. Quanto a Fernando Tourinho pessoa, dele poder-se-á dizer o pensamento que, certa feita, quando fazia eu o curso de Letras na Ufal, foi trazido à aula pelo professor d. Fernando Iório, à época cônego: ?O homem não vale pelo que tem, nem pelo que dizem dele, mas pelo que é?. * Advogado militante.