Opinião
Ainda a melhor idade
| José Sebastião Bastos * Trata-se de um assunto que vem sendo bastante ventilado. Não se pode menosprezar, diminuir a experiência dos mais velhos, dos mais idosos, pois se constitui em erro tolo e primário. Infelizmente, na sociedade brasileira, principalmente no Norte e Nordeste, tais defeitos sociais ainda existem, provindas de origem e formação patriarcal. Evidente, que se trata de um preconceito odioso e nocivo, o tal de preconceito de idade que afeta tanto os homens quanto as mulheres. O que não acontece na velha e sempre jovem Europa, onde questão de idade é quase desconhecida, vez que o europeu tem outras concepções da vida social e humana. Não se deseja, com tais argumentos, de modo algum, menosprezar a inteligência, o talento e a capacidade dos jovens e do homem moço ou da mulher moça. Não desejamos estabelecer conflitos e julgamentos entre as faixas etárias que constituem a vida física do ser humano. É do conhecimento de todos que muitos homens e mulheres têm capacidade para gerenciar tanto na esfera pública como nas faixas dos negócios do comércio e na indústria, bem como na administração pública. Sabemos que o entusiasmo é uma constante na mocidade e na juventude generalizada. Mas, daí a conceituar, através de pré-julgamento, que todas as cabeleiras prateadas vão ficando inúteis para a vida é um tremendo absurdo. Como exemplo, podemos citar homens que governaram esse País, tal qual um Afonso Pena, traçando planos administrativos de ligação as bacias fluviais, sistematizando-o no mais completo transporte coletivo, afirmação do grande historiador Pedro Calmon; Rodrigues Alves, Campos Sales, Floriano Peixoto, Getúlio Vargas, Rui Barbosa, Machado de Assis, Duque de Caxias e tantos outros. Lembremos a Europa onde as cabeleiras alvas tiveram e continuam a fazer o progresso de seus países, apesar das duas conflagrações que convulsionaram o velho continente e se refletiram no resto do mundo. Lembremos Adenauer, que soergueu a Alemanha combatida e destroçada em 1945. Recordemos de Gaulle, que levantou o patriotismo francês e revitalizou a França. Recordemos também os velhos estadistas da antiga Rússia. Não esqueçamos a figura de Churchill, cuja cabeleira branca se agitava às brisas de Londres quando, nos bombardeios da Alemanha, revirava os escombros com sua clássica bengala e dizia para os circunstantes: ?ganharemos a guerra?. Na América do Norte tivemos o grande estadista Roosevelt, que em sua cadeira de rodas comandou o mundo. (*) É procurador de Estado.