Opinião
Lucas e n�s
DIÓGENES TENÓRIO JÚNIOR * Tenho tentado ensinar ao Luís, meu filho, que é possível construirmos, todos juntos, uma sociedade onde a violência deixe de ser instrumento de dominação dos covardes que não encontram outra maneira de se afirmar. E é em respeito ao meu filho e a tudo em que eu quero que ele creia, que me irmano às manifestações de solidariedade ao Sidney e à Leda, diante da agressão covarde cometida por um grudo de delinqüentes, contra o Lucas, filho desses amigos que eu tanto admiro e estimo. Conheço o Lucas sem que ele me conheça, de tanto ouvir os seus pais falarem nele. O escritor Sidney Wanderley, o melhor poeta da minha geração, viçosense de boa cepa, nunca quis esconder o orgulho pelo filho estudioso e compenetrado, moço simpático que já arranca suspiros femininos por aí afora. Leda Almeida, historiadora respeitada e aguerrida editora de literatura, vezes sem conta falou-me dos dotes musicais de Lucas, da sua timidez e da sua doçura. Sou amigo e admirador de ambos, que, embora separados pelos revezes da vida, unem-se agora na defesa resoluta da sua cria. E foi assim que passei também a gostar do Lucas e a admirá-lo, vendo nele a confirmação do provérbio muriciense: quem puxa aos seus não degenera. Os marginais que agrediram Lucas não machucaram apenas ele; esmurraram, empurraram e pisotearam cada um de nós, homens e mulheres de bem das Alagoas, que já estamos cansados de presenciar essas manifestações de covardia dos que, sem coragem pessoal alguma e amparados em tantos privilégios escusos, ainda agem como se estivessem no tempo da senzala e do açoite. Por isso é que este não é mais um episódio policial, nem um problema apenas do Lucas e dos seus pais. É um caso que interessa a cada um de nós, pais decentes de filhos decentes, que não queremos que os filhos safados de pais irresponsáveis ponham em risco o fruto da nossa alma, nem destruam os sonhos que alimentamos para os herdeiros das nossas esperanças. Lucas não está só. O artigo da Ângela Canuto, publicado nesta GAZETA, e vários outros pronunciamentos (inclusive no Congresso Nacional), que tanto me comoveram, são a prova disso. Lucas e nós, todos juntos, veremos a justiça ser feita. O cinismo de seus agressores não contaminará a nossa crença no que ainda há de bom em nosso Estado. (*) É ADVOGADO, ESCRITOR E SECRETÁRIO ESTADUAL DA CULTURA