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Os n�meros explicam o caos

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| Marcos Davi Melo * Enquanto pipocam greves em diversos segmentos do setor público local e nacional ? a Educação, as Polícias Militar e Civil, os médicos, a CNEN, o IRD, os funcionários das universidades e outros; o caos aéreo recrudesce e os pátios dos aeroportos se transformam em verdadeiras faixas de Gaza, com cenas de violência ocasionadas por passageiros desesperados --, fica mais do que evidente que a maior causa destas greves e do caos na aviação é os baixos salários, o governo federal, distanciado e debochado, como se não tivesse nada a ver com tudo isto, proclama que vai contratar 626 funcionários para cargos de confiança, ao custo de 26 milhões. Tudo a favor de pagar salários dignos a todos aqueles que fazem jus aos proventos recebidos, seja no setor público ou privado. Mas, enquanto a azáfama pública tem como principal justificativa os baixos salários, elevam-se de uma canetada só o contingente público em mais de 620 funcionários, cuja competência é desconhecida e não necessitarão submeter-se a concurso. Avança a contradição nacional: os salários do setor público são baixos ( embora privilegiados no Judiciário e no Legislativo), enquanto o País têm um dos maiores comprometimentos mundiais (45%) do PIB com os gastos públicos, que, infelizmente, continuam a aumentar. Paralelamente, o IBGE publicou recentemente que embora (e apesar de tudo) o País esteja crescendo de forma regular, mesmo que em uma taxa muito baixa em relação aos demais países emergentes, duas razões limitam este crescimento e não nos deixam sonhar com um futuro melhor para os nossos filhos: a desindustrialização e o aumento dos gastos públicos. As indústrias tecnologicamente mais avançadas, aquelas que pagam melhores salários e que exportam produtos de maior valor agregado, vêm perdendo espaço no País. Estamos exportando cada vez menos produtos sofisticados e vamos criar empregos na indústria sofisticada na China ou em outro lugar. Isto é um desastre, pois nos trará uma dependência cada vez maior por produtos caros e feitos fora. A razão, segundo os entendidos, está no ?custo Brasil?, que inclui uma das maiores cargas tributárias do mundo e uma precaríssima infra-estrutura em transporte. Enquanto isto, os salários públicos são baixos e os serviços, péssimos. Todavia, o governo é voraz, glutão, arrecada muito, é gastador, mas investe muito pouco em infra-estrutura e em segurança, calamidade nacional. O saco estatal não tem fundo e o indispensável crescimento, infelizmente, é muito prejudicado. (*) É médico e professor da Uncisal.

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