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Opinião

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| Luiz Gonzaga Filho * O folguedo mais conhecido e apreciado das festas do ciclo junino no Nordeste, a quadrilha, na verdade, é uma contra-dança originária da aristocracia européia e chegou ao Brasil, no início do século 19, trazida pelos mestres de orquestras de danças francesas, Milliet e Cavaliet que ensinaram a grupos da elite imperial como se dançava na França. A princípio formada nos salões palacianos e marcada em francês, a quadrilha era dançada por quatro pessoas, depois por quatro pares, ao compasso de valsas, galopes, polcas e mazurcas. Com a sua popularização a quadrilha fixou-se no interior, onde adquiriu um formato brasileiro, com a marcação misturando termos aportuguesados do francês e os ritmos regionais, tais como: o baião, o xote, o xaxado e a marcha junina, substituindo os originais. Por isso, nos centros urbanos comete-se o equívoco de considerá-la uma dança de origem caipira, haja vista a vestimenta dos integrantes de alguns grupos: uma caricatura ridícula do modo de trajar das pessoas do meio rural. As mudanças pelas quais o folguedo vem passando, ao longo do tempo, têm sido objeto de severas críticas dos pesquisadores. Um exemplo disso, é o seguinte registro de Leonardo Dantas Silva, em reportagem para o jornal Diário de Pernambuco: ?Em l837, Lopes Gama, no seu ?Carapuceiro?, já criticava a popularização das quadrilhas que nos foram trazidas da França: quadrilhas e balancês/São favoráveis ensejos/Se não de furtivos beijos/D?abraços e d?apertões?. Em outro número, este já em l842, afirmava: ?Nas baiúcas mais nojentas/Onde a gente mal se vê/Já s?escuta a rabequinha/Já se sabe o balance.? Atualmente as quadrilhas se apresentam com um número ilimitado de participantes, observando-se grupos formados por mais de vinte pares, predominando os trajes sofisticados, ou os vestidos de dançarina de cancã, e as roupas de vaqueiro norte-americano, usados, respectivamente, pelas damas e cavalheiros; a marcação, passos e coreografia são mostradas de acordo com o enredo, a exemplo dos desfiles das escolas de samba, além da introdução de ritmos alienígenas, como o reggae, a salsa e o merengue. A despeito da opinião de estudiosos que atribuem a responsabilidade pela estilização exagerada das quadrilhas aos concursos realizados ?para premiar as melhores?, elas ainda se constituem a principal atração das festas do mês de junho. (*) É membro da Comissão Alagoana de Folclore.

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