Opinião
A quest�o das drogas
Pesquisa divulgada ontem, no Palácio do Planalto, durante a abertura da 4a Semana Nacional Antidrogas, mostra que 9,1 milhões de brasileiros ? de um total de cerca de 169 milhões de habitantes ? já usaram algum tipo de droga ilícita, excluindo o cigarro ou o álcool. De acordo com o mesmo estudo, 11,2% da população brasileira é dependente de álcool, 9% de tabaco e 1% de maconha. Ao mesmo tempo, o chefe do Gabinete da Segurança Institucional da Presidência da República, e presidente do Conselho Nacional Antidrogas, general Alberto Cardoso, destacou que o uso desse último produto e também da cocaína no Brasil é bem inferior a outros países. E disse que isto não significa motivo de tranqüilidade, mas uma oportunidade de continuar na luta, conforme informa a Agência Estado. De fato. Esse foi o primeiro levantamento domiciliar sobre o consumo de drogas no Brasil. Os pesquisadores estiveram em 107 cidades com mais de 200 mil habitantes, o que representa 41,3% de toda a população. Mesmo assim, seus números não deixam de revelar uma realidade por demais preocupante. Devemos levar em conta que apenas esses dados são mais do que suficientes para a implementação de uma série de providências governamentais para garantir o bom êxito das ações de combate ao tráfico de drogas, a partir de maiores investimentos na área social. Sobretudo contra a fome, a miséria e o desemprego. E estes problemas junto com as drogas têm sido as principais causas da escalada da violência em várias partes do planeta. Principalmente no Brasil, com expressiva parcela dos jovens cada vez mais envolvidos com drogas e sendo vítimas e autores de assassinatos, seqüestros, roubos, etc. Uma das decisões mais importantes nesse sentido vem da Comissão Permanente de Segurança e Combate ao Crime Organizado da Câmara Federal, com a aprovação, ontem, da proposta que, além de outras inovações, aumenta de 15 para 20 a pena máxima de traficantes e o agravamento da punição dos traficantes que usarem menores no tráfico.