Opinião
Pol�cia privada - Editorial
Todos precisam de segurança, todos têm direito ao serviço público de qualidade. Mas, na vida real, alguns têm mais ?direitos? do que outros, digamos assim. Parece ter sido esse o caso do deputado federal Cristiano Matheus (PMDB) no episódio do assalto a um galpão de sua propriedade. A polícia descobriu tudo, trabalhou rápido, trabalhou bem. Será? Ontem, quando foi anunciado que a polícia havia prendido os supostos assaltantes que invadiram a propriedade do parlamentar, uma surpresa: o delegado responsável pelo desfecho do caso trabalha no interior do Estado. Jobson Cabral é delegado titular da delegacia de Rio Largo. O caso Matheus foi no Tabuleiro, em Maceió. E por que um delegado deixa sua cidade para atuar num caso da capital? A julgar pelas explicações do próprio policial, ele atendeu a um pedido do parlamentar. Mas e o delegado da área onde ocorreu o crime? Não estava investigando o caso? Falta serviço para Jobson Cabral na delegacia de Rio Largo? Até um dia desses, quem estava por lá era o delegado Marcílio Barenco ? e não tinha tempo nem para respirar. Dezenas de inquéritos esperam desfecho em Rio Largo. Há casos de assassinatos, assaltos, seqüestros etc., tudo à espera de conclusão. E para deixar seu local de trabalho ? Rio Largo ? e atuar numa investigação que não estava sob sua alçada, Cabral pediu autorização a alguém? O diretor da Polícia Civil, Carlos Alberto Reis, autorizou o deslocamento? Aquele general do Exército, que está secretário de Defesa Social, teria sido consultado? Todos que vivem em Alagoas estariam no paraíso se tivessem, da polícia, o mesmo tratamento vip que o deputado Cristiano Matheus tem. No ar, o cheiro do privilégio, da atenção desmedida apenas aos bem postados ? o Estado a serviço de quem pode. Com a palavra, o governador Teotonio Vilela Filho.