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Opinião

Dif�cil julgamento

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| Maurício Gama Brêda * Contava-se em Recife, há algumas décadas, que um engenheiro da construção civil, proprietário de uma empresa do ramo, dirigiu-se em uma mesa de bar, na presença de pessoas amigas, a um gerente de órgão financeiro federal, com o qual firmaria contrato de financiamento, com a seguinte proposta: ?Eu aposto tantos mil como meu negócio não vai sair?. Aceita a corrupção velada, logo o proponente, sem perda de tempo emendou: ?Dobro a quantia se for liberada até a data tal?. Não preciso dizer quem ganhou o desafio e, lógico, a bufunfa. Também era época do auge da Sudene, o grande sonho desenvolvimentista do Nordeste. Infelizmente, ali se praticavam coisas parecidas. Alguns projetos só eram aprovados, por excelentes que fossem, se elaborados por escritórios ligados a manda-chuvas da própria autarquia. E vieram depois a confirmação dos desvios e a falência das indústrias motivo desses projetos. Como no Brasil já se sabe a solução, fechou-se a Sudene. E vieram os anões do orçamento, as cuecas com dólares, os gabirus da merenda, os mensalinhos e mensalões, até topar no mais alto grau da magistratura brasileira e de lá saírem presos alguns de seus membros. Quando se pensa que foi atingido o fundo do poço, eis que se vê que ele não tem fundo, pois abre-se um alçapão e lá vamos nós, caindo mais uma vez. Caindo sim, nesse universo feito por essa indústria de produzir miséria, pobreza e corrupção, fechando-se o círculo onde umas alimentam as outras. Tibério Rocha Junior em seu artigo ?Anatomia da Pobreza? bem diz: ?Quando as práticas de usurpação estão comuns e incontidas, é sinal que a pobreza no sentido latu sensu está alcançando níveis perigosos?. Em artigo publicado no caderno Saber da GAZETA sobre vinhos, cito um historiador dizendo que na sua ciência fica difícil saber quando termina a história propriamente dita e começa a lenda. Não é só na sua história que sucede, pois parece que entre nós não se está sabendo onde finda o certo e começa o errado. Até quando vão continuar sem ver que não poderão ser felizes sem que os que os rodeiam o sejam, mesmo vivendo em suas mansões seguras e desfilando em seus carrões blindados? Sei que um erro não justifica o outro, mas como posso julgar o gesto do garotão que me assaltou com um revólver em punho, na terça-feira à tarde na Gruta de Lourdes, levando-me apenas um simples radinho de pilhas, pois era só o que portava, no retorno de minha caminhada diária? (*) É bacharel em Economia.

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