Opinião
Desculpe-me, Seu Luiz!
| Edécio Lopes * Desculpe-me. Estamos chegando ao final do mês de junho, de tantas festas, lembranças e comemorações e eu não lhe pude prestar nenhuma homenagem, nenhum tributo, como sempre o fiz, há mais de 50 anos. Ah! ?Seu? Luiz! ? Quantas emoções durante todo esse tempo. Nos nossos programas, nos nossos encontros, nas nossas apresentações ao vivo em Maceió, Caruaru, Arapiraca, Limoeiro. É muito agradável recordar tudo isso. Vejo-me caminhando ao seu lado na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, rindo com os seus disparates que chamavam a atenção dos circunstantes, ou almoçando em restaurantes simples na Cidade Maravilhosa, nos quais todo mundo se levantava para cumprimentar o ?Rei do Baião?. Você em minha casa, no Trapiche da Barra, brincando com os ?meus moleques?, como você chamava os meus filhos, ou Dina e eu em sua residência na Ilha do Governador. Quantas e quantas vezes você esteve nas ?Manhãs Brasileiras? e quanto me foi gratificante divulgar os seus lançamentos, suas gravações, suas músicas, principalmente no mês de junho. Você e todo esse time maravilhoso de artistas regionais, nomes inesquecíveis e intérpretes fiéis do estilo por você consagrado: Jackson, Gordurinha, Ary Lobo, Trio Nordestino, Abdias, Jacinto Silva, há algum tempo falecidos e Sivuca e Marinês, estes dois últimos arrastados recentemente para o plano em que você se encontra. Manter todos vivos, apesar de mortos, no respeito, na saudade do grande público, nos aplausos reconhecidos por suas alegres interpretações, foi sempre uma tarefa prazerosa de todos os dias. Lamento por todos eles, ?Seu? Luiz. Pelas bandinhas típicas com repertório especial animando quadrilhas e festanças no ?arraiá? das nossas recordações. E os vivos, por onde andam? Jorge de Altinho, Flávio José, Adelmário Coelho, Zinho, Clemilda, Petrúcio Amorim, Nando Cordel, Alcymar, Tororó do Rojão, Joelson, Edgar, Messias Lima, Geraldo Cardoso... Perdi o contato com toda essa gente. Gravaram alguma coisa? Estão se apresentando em algum lugar? De um momento para outro, Alagoas ficou distante das músicas tradicionais de Lamartine Babo, João de Barro, Pixinguinha nas quais se falava em fogueiras, balões, busca-pé, adivinhações... E esses versos lindos: ?Os balões devem ser, com certeza, As estrelas do espaço profundo. Que as estrelas daqui, deste mundo, São os balões lá do céu.? Parece, ?Seu? Luiz, que ?nesse coco não vadeio mai?. Estou mais por fora do que funcionário da TV Caracas, lá da Venezuela. Só que, ao que consta, não passou nenhum Chavez por aqui. Ou passou?! (*) é radialista e compositor.