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Opinião

Lavando a alma

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Marcos Davi Melo * Estava dirigindo em direção ao trabalho e ouvia uma emissora que só transmite informações e notícias - um bombardeio de escândalos políticos no Senado, associado ao custo abusivo e exorbitante do Legislativo nacional, um dos piores e mais caros do mundo --- quando o celular chamou. Ainda não tinha engolido a afronta da Folha de São Paulo de domingo passado, quando Alagoas foi estraçalhada, literalmente humilhada por uma única e devastadora charge, que reproduzia uma pizza com recheio de gente e acima trazia apenas uma imensa e dolorosa palavra: ?Alagoana?. Atendi ao celular. Era o dr. Marcos Moraes, este brilhante conterrâneo que há tanto tempo está no Rio de Janeiro, onde, exercendo a Medicina, é um dos seus cirurgiões mais respeitados e bem-sucedidos. Ele me comunicava, emocionado, que no próximo dia 14 de julho tomará posse como presidente da Academia Nacional de Medicina e me convidava para a posse. Senti-me muito feliz naquele momento e lhe prometi que mesmo abalado pelo caos aéreo, aquele momento justificaria enfrentar um imprevisível risco, que é fazer uma viagem aérea no Brasil atualmente. Para chegar à presidência da Academia Nacional de Medicina e ser o primeiro alagoano a assumir este posto Marcos Moraes fez uma trajetória exemplar. Nascido em Palmeira dos Índios, filho de um funcionário público, estudou Medicina no Rio, de onde depois de formado retornou para Palmeira, onde fez cirurgias de grande porte e complexidade ainda hoje inexistentes no interior alagoano. Voltou ao Rio convocado pelo seu antigo preceptor, lúmen tutelar da medicina carioca, que não só saudoso, como carente de um discípulo capacitado e talentoso para continuar o seu trabalho, viu em Marcos o único capaz de herdar o seu respeitado patrimônio profissional. Desde então, à custa de muito trabalho, esforço e aprimoramento, o palmeirense galgou todos os degraus; superou desafios, como a Direção Geral do Instituto Nacional do Câncer, onde atravessou diferentes governos e que antes dele era uma instituição convulsa, limitada e que sob a sua competente gestão, se tornou uma entidade com marcante presença internacional e consistente personalidade científica. É considerado o maior diretor do Inca dos últimos trinta anos e um dos mais profícuos de toda a sua existência. Marcos Moraes é a prova viva de que os alagoanos são normais, plenamente viáveis e podem vencer em qualquer lugar, pela honestidade, pelo suor, pelo talento e pelo valor. (*) É médico e professor da Uncisal

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