Opinião
Grave amea�a - Editorial
Como divulgamos domingo último, citando recente relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 50 milhões de pessoas terão que deixar locais de origem, nos próximos dez anos, devido ao fenômeno da desertificação em várias partes do mundo. Trata-se de mais um alerta acerca dos problemas ambientais. Principalmente em relação a essa e outras conseqüências dos recursos naturais, sendo uma delas o desmatamento de maneira irresponsável. Para ambientalistas, a exemplo de Peter Kareiva, da ONG Nature conservancy, em artigo na revista Science, a natureza intacta não existe. De acordo com ele, em 1995, por exemplo, apenas 17% da Terra permanecia verdadeiramente selvagem ? sem assentamentos humanos, plantações, estradas ou luzes noturnas detectadas por satélite. Metade da superfície do globo é usada para a agropecuária; mais da metade de todas as florestas já desapareceu e a quantidade de água armazenada artificialmente é quase seis vezes maior que a que corre livremente, E cercar áreas naturais em forma de parques ? rodeados por lixo, poluição e espécies exóticas ? só ressalta a domesticação dos ambientes. ?Encarar essa realidade demanda uma mudança de foco na ciência ambiental?. Diante de números e advertências como esses, achamos que devemos direcionar nossas maiores atenções para essas e mais advertências, como as que foram feitas em entrevista à BBC, em 2002, pelo economista e também ambientalista americano Lester Brown: ?A economia depende do meio ambiente. Se não há meio ambiente, se tudo está destruído, não há economia. Nós continuamos tão dependentes dos sistemas e recursos naturais quanto éramos antes, mesmo vivendo hoje em uma sociedade moderna e tecnologicamente avançada (...)?. A situação requer atenção séria e imediata. Chegará quando?