loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Viol�ncia urbana: ontem e hoje

Ouvir
Compartilhar

| Luiz Barroso Filho * Durante dois anos e meio, na década de 60, fui repórter-policial da Rádio Gazeta AM, época em que o Departamento de Notícias da emissora foi dirigido pelos jornalistas José Alberto Costa e Batista Pinheiro, que comandavam a equipe formada por Ailton Vilanova, Ilmar Caldas, Ramos Teixeira, Airon Bomfim e Élio Lessa. Naquele tempo eu cobria o Hospital de Pronto-Socorro, o Necrotério Público Municipal e a Primeira Delegacia de Polícia da Capital (antiga denominação das entidades). Mas havia dias que as referidas instituições apresentavam um movimento tão insignificante que meu trabalho ficava prejudicado. Às vezes, o HPS, por exemplo, só anotava casos clínicos, enquanto o Necrotério registrava apenas mortes por doenças, e a Primeira DP, uma ou outra detenção por embriaguez, porte de maconha ou desordem. Mesmo nos dias de movimentação intensa, geralmente as ocorrências mais graves eram as tentativas de homicídio envolvendo desocupados, ou em decorrência de brigas de casais. Além disso, registravam-se pequenos furtos praticados por descuidistas e batedores de carteiras ? casos considerados sem importância, do ponto de vista jornalístico. A escassez de notícias, no entanto, demonstrava que Maceió era uma cidade tranqüila, apesar das prisões arbitrárias efetuadas pelo regime militar, a partir de 31 de março de 1964. Embora a população do Estado fosse muito menor, os fatos de repercussão no âmbito policial eram poucos, comparados aos que vêm ocorrendo. A prática de crimes de seqüestro, tráfico de cocaína e assalto a banco, à época, não fazia parte dos registros da polícia alagoana. Hoje, além do aumento do número dessas infrações penais, que recheiam os noticiários, observa-se o surgimento de novas modalidades de ilícitos (seqüestro relâmpago, tráfico de crack, assalto a restaurante, a consultório médico e, até, a templos religiosos), que vêm deixando a população amedrontada e descrente, sobretudo, porque os órgãos encarregados da segurança pública não estão conseguindo conter a escalada da violência em Alagoas, haja vista o atual efetivo das polícias militar e civil, que corresponde à metade do recomendável para atender a todo o Estado. Mas a carência de policiais é apenas um aspecto do intricado problema do combate à violência urbana. (*) É advogado, membro da Academia Maceioense de Letras e da Comissão Alagoana de Folclore.

Relacionadas